O empresário André Cury, um dos maiores agentes de futebol do mundo, acionou a Justiça para cobrar uma dívida de mais de R$ 46 milhões de Rubens Menin, um dos donos da Galo Holding, controladora da SAF do Atlético-MG. A ação, à qual a ESPN teve acesso, tem origem em negócios feitos pelo agente que se transformaram em processos judiciais por comissões não pagas em transferências de jogadores.
Segundo Cury, em 20 de junho de 2023 ele firmou com o Galo e Menin um “Instrumento de Transação, Novação, Confissão, Assunção de Dívida e Outras Avenças” — na prática, um documento no qual o Atlético reconheceu formalmente que devia R$ 70.319.735,45 ao empresário. Em seguida, as partes chegaram a um acordo para reduzir o montante para R$ 56.640.646,54, a serem pagos em 36 parcelas pelo clube de Belo Horizonte.
A cobrança, porém, se arrastou. O megaempresário afirma que o Atlético não pagou diversas parcelas do acordo. Como Menin havia entrado no documento como “terceiro garantidor” — ou seja, como quem se responsabiliza pela dívida caso o clube não pague —, Cury acionou o artigo 299 do Código Civil para colocá-lo como “devedor principal” na cobrança.
O retorno ao valor original e o pedido à Justiça
O ponto que está no centro da disputa é a condição do desconto. Na ação, André Cury afirma que a redução do valor concedida ao Galo dependia do pagamento pontual das parcelas. Como houve inadimplência, a cobrança retornou ao valor originalmente confessado pelos mineiros, descontando apenas os valores efetivamente pagos e amortizados. No cálculo atualizado, o montante cobrado agora é de R$ 46.630.410,28.
Na Justiça, o agente pede o processamento da execução — o procedimento legal para forçar o pagamento de uma dívida reconhecida — e a citação de Menin para que quite os valores em até três dias, além do pagamento de 10% em honorários advocatícios. Caso o pagamento não ocorra, Cury exige o bloqueio de contas de Rubens Menin via Sisbajud, o sistema de busca de ativos do Poder Judiciário, e buscas patrimoniais por sistemas como o Renajud, que permite restrições sobre veículos. Procurado por meio de sua assessoria de imprensa, Rubens Menin optou por não se manifestar sobre o tema.
O desfecho do caso depende agora da análise da Justiça, que vai decidir sobre o processamento da execução e as medidas patrimoniais pedidas pelo empresário. Em paralelo, o clube sustenta publicamente o discurso de negociação direta com credores, em um momento em que a SAF atleticana busca reorganizar suas finanças.
A resposta do Atlético-MG
Já o Atlético-MG afirmou que reconhece a dívida com o empresário, mas contestou os valores cobrados por Cury. Confira o posicionamento completo enviado à ESPN:
O Atlético tem conhecimento do processo mencionado, mas esclarece que o valor da causa apontado não corresponde à realidade.
O clube reforça que vem trabalhando de forma árdua e contínua para equacionar dívidas que se acumulam desde o início da década passada.
Diferentemente de outras agremiações que optaram por decretar Recuperação Judicial, o Atlético mantém diálogo direto com seus credores, reafirmando o compromisso de honrar suas obrigações.
Como demonstração desse compromisso, o clube já pagou centenas de milhões de reais em débitos ao longo dos últimos anos e seguirá buscando, de forma responsável, o acerto de todas as pendências.



