O processo para a venda da SAF do Vasco avançou após os órgãos responsáveis pela fiscalização da operação solicitarem ajustes no contrato apresentado pelo investidor. Segundo André Sica, advogado de Marcos Lamacchia, em entrevista exclusiva ao ge, as alterações foram realizadas, um aditivo foi assinado e a documentação voltou a ser encaminhada à Justiça. O advogado também citou as fiscalizações sobre o processo da venda, sejam as do Vasco, as da Justiça, ou até mesmo da CBF, através da ANRESF. Assim como Pedrinho, Sica afirmou que a venda da SAF do Vasco é a “operação mais fiscalizada do Brasil”. “A operação do Vasco é a operação mais publicizada do Brasil, ou talvez uma das mais publicizadas entre todas as operações que já houve no país”, disse, completando: “As pessoas reclamam muito de RJ, mas às vezes esquecem como funciona uma recuperação judicial. Os AJs, que são os administradores judiciais, analisam todo o fluxo financeiro. Só para vocês terem ideia do ponto a que chega essa fiscalização: hoje, as contratações do Vasco são levadas à ciência da magistrada. Além disso, há inúmeros profissionais e departamentos envolvidos na operação e mais de três ou quatro escritórios de advocacia”.
Entre os pedidos feitos pelos administradores judiciais e pelo watchdog estão a redução do break-up fee, multa prevista ao Vasco caso o Lamacchia não vença o leilão, e um complemento de garantia para o caso de haver alguma falha na comprovação da capacidade econômico-financeira necessária para cumprir as obrigações da recuperação judicial. Também foi solicitado que o contrato estabelecesse de forma mais clara o fluxo de pagamento das obrigações da recuperação judicial e que os custos previstos para esses pagamentos incluíssem os assessores judiciais. Sica afirmou que as mudanças não alteraram o mérito da proposta.
Valores, cronograma e próximos passos da operação
A expectativa do grupo de Lamacchia é que a Justiça determine a publicação do edital e dê início ao processo competitivo. Segundo Sica, o cronograma de trabalho prevê o encerramento dessa etapa até o fim de setembro, embora o prazo possa ser alterado caso haja impugnações ou discussões judiciais. O advogado também revelou que o Vasco terá uma cadeira no Conselho de Administração da SAF. Sobre os valores da venda, a proposta prevê a cobertura de todo o déficit de caixa dos próximos cinco anos, hoje estimado em aproximadamente R$ 300 milhões por ano, o que dá R$ 1,5 bilhão.
Ao explicar em qual passo está a operação, Sica detalhou o caminho até a conclusão. “A partir da publicação do edital, você tem o início do processo competitivo. Esse processo termina com a apresentação de propostas de terceiros. Se não houver uma proposta de terceiro vencedora, a proposta do Marcos é declarada vencedora, e o juízo declara a arrematação da unidade produtiva. A partir daí, você tem o que a gente chama de closing, que é o fechamento da operação”, afirmou. Questionado sobre como o Vasco vai guardar esses direitos e deveres para fiscalizar o trabalho do sócio majoritário, Sica explicou que, nesses casos, o Vasco já teria, inerentemente por lei, todos os poderes de fiscalização, mas que, de toda forma, o clube terá um membro dentro do conselho de administração.
Watchdog autoriza venda
Na tarde desta quarta-feira (12), o advogado Athos Neves, nomeado pela Justiça como watchdog da gestão vascaína, deu parecer positivo à negociação da SAF, em documento divulgado nos autos do processo. Esse é o primeiro agente externo a dar uma resposta positiva. Agora, o Vasco precisa dessa mesma autorização do administrador judicial (função do escritório Gussem e Lemos Basto Advogados), do Ministério Público e da juíza que toca o caso para ter a decisão positiva. Ou seja, a venda da SAF do Vasco ainda não está completamente autorizada. O clube ainda depende de uma série de avaliações para poder tocar a parte decisiva da negociação.
Fonte: ge.Globo.



