A advogada Samantha Mendes Longo protocolou sua renúncia à função de interventora da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Vasco apenas seis dias após sua nomeação. A decisão foi comunicada por meio de uma petição oficial na qual a profissional cita a ocorrência de um “fato grave” relacionado à sua integridade física e segurança pessoal como motivo determinante para o desligamento imediato do posto.
A saída ocorre em um momento de alta tensão nos bastidores do clube. No mesmo dia em que a renúncia foi formalizada, integrantes de torcidas organizadas compareceram ao edifício onde funciona o escritório administrativo da SAF, localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Em registros divulgados em redes sociais, os torcedores afirmaram que buscavam a gestora para cobranças, mas não a encontraram no local.
Relatório técnico e proposta de mediação para o litígio
Apesar do curto período no cargo, a advogada não deixou a função sem apresentar resultados. Ela entregou à Justiça um relatório técnico detalhando as reuniões e atividades realizadas durante sua primeira semana de intervenção. O documento traz uma recomendação estratégica central: a instauração imediata de um incidente de mediação voluntária. A proposta visa reunir representantes do Club de Regatas Vasco da Gama (CRVG), da investidora 777 Partners e de potenciais novos compradores para buscar uma solução consensual que encerre a disputa judicial entre os atuais sócios.
Segundo o relatório apresentado, tal medida é considerada essencial para que as negociações sobre o futuro do futebol vascaíno sigam com rapidez, boa-fé e transparência. Samantha Longo defende que os representantes dos acionistas e os investidores interessados sejam intimados a participar voluntariamente do procedimento, visando eficiência na circulação de informações e na resolução do conflito que trava a gestão da companhia.
Contexto jurídico e o impasse na governança
Samantha Longo havia sido designada pela juíza Caroline Fonseca, da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, para um mandato inicial de 60 dias. Sua missão principal era restabelecer a regularidade nos processos de governança, assegurar a prestação de contas e garantir o fluxo de informações entre os órgãos internos da SAF. A intervenção foi decretada após o afastamento judicial do presidente Pedrinho e de outros dois conselheiros, em uma decisão que atendeu a um pedido da 777 Carioca fundamentado em apontamentos feitos pelo Conselho Fiscal da empresa.
Com a vacância do cargo de interventora, a Justiça agora terá de definir os próximos passos para a condução da sociedade anônima. A decisão original previa que a gestora apresentasse relatórios quinzenais para supervisão judicial, visando a transparência administrativa em meio às incertezas societárias. Agora, cabe ao Juízo nomear um substituto ou alterar a estratégia de intervenção para garantir que os processos de governança não sofram novas interrupções.
Veja a íntegra do relatório feito pela interventora Samantha Longo sobre a Vasco SAF: clique aqui.



