O Avaí deu um passo decisivo em direção à modernização de sua estrutura administrativa. Em reunião presencial realizada na noite desta terça-feira (30/06), no Estádio da Ressacada, o Conselho Deliberativo do clube votou a favor da proposta da empresa Kactus Capital para a compra de 90% das ações da Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O encontro, que reuniu 168 conselheiros, terminou com um placar de 112 votos favoráveis contra 54 contrários, além de duas abstenções entre os presentes.
Apesar do aval do conselho, a transação ainda não está finalizada. Para que a venda seja oficialmente homologada, o projeto precisa ser submetido ao crivo dos sócios em uma Assembleia Geral Extraordinária, que deve ser convocada nos próximos dias. Assim como ocorreu na votação interna, a decisão dos associados será definida por maioria simples, representando a etapa final para a implementação do novo modelo de gestão.
Distribuição dos investimentos e quitação de dívidas
A proposta financeira da Kactus Capital totaliza R$ 400 milhões, montante que será utilizado prioritariamente para sanear as finanças da instituição. Do valor total, aproximadamente R$ 290 milhões serão destinados integralmente à quitação das dívidas acumuladas pelo clube. O restante do capital, cerca de R$ 110 milhões, será aplicado de forma estruturada em diferentes áreas ao longo dos próximos anos.
O planejamento prevê o aporte de R$ 75 milhões no projeto desportivo profissional, sendo que R$ 25 milhões devem ser injetados já nos três primeiros anos de operação da SAF. Além disso, o contrato estabelece o investimento de R$ 20 milhões nas categorias de base em um período de dez anos e R$ 5 milhões para melhorias na infraestrutura física em cinco anos. Caso a proposta receba o sinal verde dos sócios, a investidora também assumirá os custos diários de manutenção e operação do clube, além de disponibilizar um empréstimo-ponte imediato de R$ 5 milhões para reforço de caixa.
Garantias institucionais e preservação da identidade
Para assegurar a proteção da história e do patrimônio do Avaí, o acordo de venda inclui uma série de salvaguardas contratuais. O clube manterá o direito a um terço das cadeiras no Conselho de Administração da SAF, garantindo participação ativa nas decisões estratégicas. O patrimônio imobiliário, que compreende o Estádio da Ressacada e o Centro de Treinamento, permanece integralmente protegido sob titularidade da associação.
O Leão da Ilha também preservou o poder de veto sobre decisões consideradas cruciais para a identidade da instituição. Alterações no nome do clube, cores oficiais, hino, localização do estádio ou mudança de cidade não poderão ser realizadas sem o consentimento da associação. Adicionalmente, o Avaí terá autoridade para vetar futuras negociações que a Kactus Capital pretenda realizar com outros investidores, assegurando controle sobre possíveis substituições ou entradas de novos parceiros na relação negocial.
O presidente do Avaí, Bernardo Pessi, detalhou aspectos fundamentais sobre a segurança financeira e competitiva que o contrato busca estabelecer para o futuro do futebol profissional:
“Conseguimos na proposta que a Kactus estabeleça uma folha mínima de acordo com a série que o Avaí estiver disputando. Pra Série B, uma folha de R$ 2,5 milhões, mais impostos. E, na Série A, de, no mínimo, R$ 7 milhões, mais impostos.”



