O Paraná Clube avançou de forma decisiva no processo de transição para a Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Em reunião realizada na noite de segunda-feira (22), os Conselhos Consultivo e Deliberativo aprovaram, com ampla maioria, os instrumentos jurídicos necessários para a venda da SAF à NextPlay. Dos 64 conselheiros presentes, 62 votaram favoravelmente à operação, enquanto apenas dois se manifestaram contra. Os votos divergentes foram do ex-presidente Rubens Ferreira e Silva, o Rubão, e de Renato Collere, ex-presidente do Conselho e integrante do Comitê da SAF.
Foram aprovados o contrato de compra e venda, o Acordo de Acionistas e o financiamento DIP (Debtor-in-Possession) firmado entre as partes. O resultado representa uma guinada importante diante do cenário incerto que cercava a negociação nas últimas semanas. A venda chegou a gerar dúvidas após o parecer contrário emitido pelo Comitê da SAF, grupo formado por dirigentes e representantes ligados ao clube. Mesmo diante da recomendação negativa, os conselheiros optaram por seguir com a proposta após uma rodada de esclarecimentos promovida pelos sócios da NextPlay. Em nota oficial, o clube destacou que a deliberação é fruto de meses de trabalho, análises técnicas e diálogo entre dirigentes, conselheiros, credores e investidores.
Regularização fiscal e próximos passos na Recuperação Judicial
Com a aprovação interna concluída, o Paraná Clube agora aguarda o cumprimento das etapas previstas no processo de Recuperação Judicial para finalizar a operação. O principal obstáculo neste momento é a obtenção da Certidão Positiva com Efeitos de Negativa da Fazenda Nacional, documento que comprova a regularidade fiscal da instituição. A emissão da certidão depende da conclusão da transação tributária com a União e do pagamento da primeira parcela de R$ 3 milhões, valor que será desembolsado pela NextPlay nos próximos dias.
Somente após a apresentação do documento é que a juíza Mariana Fowler Gusso, titular da 1ª Vara de Falências e Recuperação Judicial de Curitiba, poderá homologar o plano aprovado pelos credores no processo de recuperação. A construção do modelo que viabilizou a venda passou por uma negociação considerada fundamental: o acordo entre o Paraná Clube, seus credores e o Banco Genial, principal investidor ligado à NextPlay. O entendimento estabeleceu o pagamento de R$ 60 milhões pela Sede da Kennedy, montante que será integralmente destinado à quitação das obrigações previstas na Recuperação Judicial.
Inicialmente, parte dos credores demonstrava resistência à proposta por receio de não receber os valores provenientes da venda do patrimônio. O valor mínimo estipulado anteriormente para o imóvel era de R$ 70,8 milhões. Com a garantia de pagamento apresentada nas novas negociações, os credores concordaram em reduzir a exigência para R$ 60 milhões. Pelo modelo aprovado, a Sede da Kennedy será levada a leilão pelo valor estabelecido, com preferência ao Banco Genial para cobrir eventuais ofertas superiores. O pagamento ocorrerá em dez parcelas anuais, com carência de um ano após a efetivação da venda da SAF.
A NextPlay assumirá a responsabilidade pelo pagamento das dívidas junto à Receita Federal e ao Banco Central. A empresa também mantém conversas com a União para uma eventual aquisição definitiva da Vila Capanema. Nos bastidores do futebol, a NextPlay já atua desde o ano passado, tendo participado da formação do elenco e da comissão técnica que garantiram o acesso à primeira divisão do Campeonato Paranaense, além de promover melhorias estruturais na Vila Olímpica do Boqueirão e viabilizar a retomada de jogos no local.
Nota Oficial do Paraná Clube – 23/06/26
Os Conselhos Consultivo e Deliberativo do Paraná Clube aprovaram, nessa segunda-feira (22), os instrumentos jurídicos relacionados ao Edital de Venda da SAF do Paraná Clube, o contrato de compra e venda e o Acordo de Acionistas da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), assim como o financiamento DIP (Debtor-in-Possesion) celebrado com a NextPlay.
A proposta foi referendada no Conselho Consultivo e pela ampla maioria no Conselho Deliberativo, refletindo a confiança no projeto apresentado e no caminho construído para a reestruturação institucional, financeira e esportiva do clube.
A deliberação é resultado de meses de trabalho, análises técnicas e diálogo entre dirigentes, conselheiros, credores e investidores, que sempre atuaram com o objetivo de construir soluções capazes de assegurar sustentabilidade, competitividade e perspectivas concretas para o futuro do Paraná Clube.
Agora, o clube aguarda o cumprimento dos ritos previstos no processo de Recuperação Judicial para a conclusão da operação.
Fonte: ge.Globo; Paraná Clube.



