O Conselho Deliberativo do Corinthians concluiu, na noite desta segunda-feira, a votação de pontos da reforma estatutária do clube. Em reunião realizada no salão nobre do Parque São Jorge, 76 conselheiros definiram diretrizes que impactam diretamente o futuro político e administrativo da instituição. O resultado mais aguardado foi a aprovação da candidatura à reeleição do atual presidente, Osmar Stabile, permitindo que ele dispute o pleito marcado para o final deste ano. A decisão encerra meses de debates internos sobre a possibilidade de um segundo mandato consecutivo na estrutura diretiva alvinegra.
Paralelamente à definição sobre o comando executivo, o órgão colegiado barrou as tentativas de transformação do departamento de futebol em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Os conselheiros rejeitaram as duas propostas de mudança societária apresentadas pela Comissão de Reforma do Estatuto, optando pela manutenção do modelo atual. A maioria dos votos favoreceu a continuidade do controle associativo tradicional, recusando tanto a exigência de participação mínima de 10% de ações quanto a obrigatoriedade de controle institucional com poder de veto em uma eventual empresa.
Reformulação da governança e transparência administrativa
Uma das mudanças mais significativas aprovadas pelo colegiado diz respeito à própria estrutura do Conselho Deliberativo. O grupo decidiu reduzir o tamanho do órgão em um terço, passando dos atuais 300 membros para 200 integrantes. Pelo novo modelo, o conselho passará a contar com 50 membros vitalícios e 150 trienais eleitos, uma diminuição proporcional que visa dar maior agilidade aos processos internos. No campo eleitoral, ficou definida a implementação do sistema de dois turnos para a escolha do presidente do clube, além da fixação de uma carência de três anos de associado para o exercício do direito ao voto.
A transparência contábil também foi reforçada com a aprovação da publicação trimestral dos balancetes financeiros do clube. A medida busca garantir aos sócios e órgãos de controle um acompanhamento mais frequente da saúde econômica da instituição. Além disso, o Conselho de Orientação (CORI) terá sua composição de membros natos restrita aos últimos cinco ex-presidentes da diretoria e aos últimos cinco ex-presidentes do Conselho Deliberativo, limitando a participação automática de antigos gestores na cúpula consultiva.
Ajustes no sistema eleitoral e conselhos internos
O pacote de reformas incluiu ainda alterações na dinâmica do Conselho de Ética, cujos 11 membros passarão a ser eleitos integralmente pela Assembleia Geral. No que tange ao sistema de eleição para o próprio Conselho Deliberativo, a proposta de voto individual superou o modelo de chapas proporcionais. Também foi decidido que não haverá limite para reeleições de membros do Conselho, permitindo mandatos sucessivos sem restrições de tempo. Por outro lado, a criação do cargo de gerente do Parque São Jorge foi formalmente rejeitada pela maioria dos presentes.
O texto-base da reforma já havia sido recusado pelo Conselho Deliberativo na semana anterior, mas aprovado o direito ao Fiel Torcedor de votar nas eleições presidenciais do clube. Agora, as decisões tomadas pelo conselho dependem de uma etapa final de validação. O clube deve convocar, nos próximos dias, uma Assembleia Geral para que os sócios do Parque São Jorge possam votar cada um dos itens da reforma do estatuto.
Fonte: ge.Globo.



