A juíza Ana Lial Beall, da 11ª Vara Cível de Campinas, determinou a suspensão do resultado das eleições realizadas em dezembro de 2025 para os Conselhos de Administração, Deliberativo e Fiscal do Guarani. A decisão liminar, proferida nesta quinta-feira, 15 de abril de 2026, atende a pedido da chapa de oposição “Meu Bugre Forte”, liderada por Felipe Roselli, e aponta falhas graves na Assembleia Geral que homologou a reeleição de Rômulo Amaro.
A magistrada identificou violações estatutárias na impugnação da chapa opositora durante o pleito de 14 de dezembro. Roselli foi barrado por supostas faltas injustificadas em 2023, sanção baseada no estatuto antigo, revogado em setembro de 2025 pelo novo, que não previa inelegibilidade automática por esse motivo. Além disso, a votação da exclusão ocorreu de forma aberta, por levantamento de mãos, contrariando a exigência de voto secreto para questões eleitorais. “A soberania da Assembleia não autoriza o descumprimento do rito estatutário. A votação aberta configura violação aos artigos que exigem voto secreto”, escreveu Beall, alertando para insegurança jurídica e danos irreparáveis ao clube e associados.
A liminar anula a impugnação inicial, que pavimentou a vitória da chapa de Amaro, e determina o afastamento imediato dos eleitos até o julgamento final. Cabe recurso, mas o despacho não esclarece quem assume interinamente, deixando o Brinco de Ouro em vácuo administrativo.
Nos bastidores, a diretoria atual contesta veementemente a medida, argumentando que a votação aberta era válida para julgamentos de recursos e que a Assembleia, soberana, poderia rever decisões prévias da Comissão Eleitoral. Há apreensão com paralisia operacional: sem assinaturas válidas, contratos, contratações e contas podem ficar travados, afetando o departamento de futebol em meio à Série C.
A Fúria Independente, principal torcida organizada, repudiou a judicialização em nota oficial, classificando-a como “tentativa espúria de tomar o poder por via não democrática”. A organizada alerta para prejuízos à transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF), que afastaria investidores e criaria clima instável. “A nação bugrina não suporta mais o cenário catastrófico dos últimos anos. Apoiamos André Torquato [presidente suspenso do CD] e cobramos continuidade dos projetos”, diz o comunicado, defendendo transparência sem coloração política.
Fonte: ge.Globo.



