Pelo terceiro ano consecutivo no azul, o Esporte Clube Juventude encerrou 2025 com superávit de R$ 25,4 milhões, segundo maior da história do clube e apenas atrás dos R$ 34,2 milhões de 2024, ano do retorno à Série A. O balanço de 30 páginas, aprovado sem ressalvas pelo Conselho Deliberativo, revela crescimento de 9,5% na receita bruta para R$ 143 milhões e redução de 35,5% nas dívidas totais (passivo circulante e não circulante), posicionando o Verdão como um dos raros clubes brasileiros alinhados aos princípios do fair play financeiro, com gastos limitados a 80% da receita.
A receita operacional bruta, que inclui atividades desportivas, negociações de atletas, receitas financeiras, royalties e trabalho voluntário, saltou de R$ 130,5 milhões em 2024 para os R$ 143 milhões recordes. Desse total, R$ 118,7 milhões vieram exclusivamente do futebol: transmissão de jogos (maior fatia, com R$ 88 milhões), publicidade, bilheteria, patrimônio e vendas/empréstimos de atletas. Apesar do aumento de 13,5% nos investimentos no futebol – impulsionado por pagamentos de direitos de atletas profissionais, federações, imagens, prêmios e material esportivo –, o clube não manteve a Série A, mas preservou o equilíbrio com superávit inédito em 108 anos de história.
O passivo circulante, dívidas com vencimento em até 12 meses, encolheu quase R$ 14 milhões, fechando em R$ 20,46 milhões, graças a reduções em receitas diferidas (valores recebidos antecipadamente por bens ou serviços pendentes), premiações e quitação de empréstimos e financiamentos. Já o passivo não circulante, obrigações de longo prazo ou parceladas, caiu de R$ 11,1 milhões para R$ 8,8 milhões, sem contrair novos empréstimos bancários. O patrimônio total cresceu R$ 9,3 milhões, atingindo R$ 91,9 milhões, impulsionado por investimentos no ativo imobilizado e intangível, como a ampliação e modernização do Centro de Formação de Atletas e Cidadãos (CFAC).
O presidente Fábio Pizzamiglio celebrou a gestão responsável: “Essa condução coloca o clube entre os raros casos do futebol brasileiro que já operam em conformidade com os princípios do fair play financeiro, antecipando-se às exigências regulatórias e reforçando o compromisso com a sustentabilidade, a credibilidade e o equilíbrio do esporte”. Paulo Machado, presidente do Conselho Fiscal, recomendou a aprovação destacando: “Apresentou a maior receita da sua história. Em contrapartida, teve um aumento de gastos com desportos, mas mesmo assim obteve um resultado superavitário de 25,5 milhões, primando pelo equilíbrio e pela saúde financeira. O parecer da auditoria não apresentou nenhuma ressalva”.
Para dirigentes, investidores e patrocinadores, o Juventude exemplifica como planejamento rigoroso gera credibilidade em um mercado instável. A adesão precoce ao fair play financeiro – limitando despesas operacionais para preservar caixa – permite contratações sustentáveis e foco na Série B 2026, com potencial para atrair parcerias e vendas de atletas sem comprometer o caixa. O modelo reforça o clube como referência em governança, equilibrando receitas modestas de TV e bilheteria com eficiência, em contraste com endividamentos crônicos de rivais maiores.
Fonte: ge.Globo.



