O Araxá Esporte Clube vive um momento de instabilidade na Sociedade Anônima do Futebol (SAF), com um conflito interno entre os investidores. O impasse, revelado em entrevista coletiva de Diogo Ferreira, envolve divergências financeiras, administrativas e de planejamento, aproximando-se de um rompimento na parceria com Jerry Corrêa.
A tensão ganhou forma após uma negociação na tarde de segunda-feira (23 de março), quando as partes assinaram contrato para transferência de mais 45% das ações da SAF para Diogo Ferreira. Essa operação soma-se à aquisição inicial de outros 45% há pouco mais de um mês, elevando sua participação para 90%. Diogo, empresário local à frente do Araxá Acqua Park, assumiria como principal gestor, mas o acordo ainda depende de assembleia e da assinatura do presidente da associação, Wandick de Assis Júnior.
Dívida trabalhista trava registros e expõe descompasso
Apesar do pagamento de pendências com a CBF e FMF, uma dívida trabalhista de cerca de R$ 160 mil, oriunda de ações de ex-jogadores, impede o registro de novos atletas. Diogo propôs dividir o valor com Jerry, mas não houve consenso. A divergência se agravou com visões opostas sobre prioridades: Diogo defende investimento nas categorias de base (Sub-15 e Sub-17), enquanto o sócio prioriza o elenco profissional.
Em entrevista à Rádio Imbiara nesta quarta-feira (25), direto dos EUA, Diogo enfatizou: “Futebol começa pela base. Eu me dispus a bancar os custos, mas não houve interesse”. As equipes sub não disputarão competições oficiais este ano por falta de prazo para inscrição.
Comissão técnica e negociações para saída de sócio
Diogo confirmou Marcelo Araxá como diretor de futebol e Edvaldo Márcio de Oliveira (ex-diretor de competições da Liga Araxaense de Desportos – LAD) como coordenador técnico. Anúncios adicionais, como o diretor da base, virão em breve. As decisões seguem cautelosas, priorizando um planejamento sustentável.
O contrato da SAF prevê cláusula de recompra. Diogo ofereceu R$ 320 mil pela parte de Jerry (após iniciar negociação em R$ 500 mil), com acordo verbal, mas sem assinatura. Sem resolução, o risco de disputa societária aumenta.
Associação monitora e pode retomar controle
Wandick de Assis Júnior afirma acompanhar o conflito, exclusivo da SAF. Há cláusula exigindo depósito de R$ 1,2 milhão até 31 de março; sem pagamento, a associação pode retomar o controle e anular o contrato.
Diogo pediu união à torcida: “Com o apoio da torcida, da imprensa e de toda a cidade, vamos construir um Araxá mais forte”.
Fonte: Jornal Araxá; Portal Imbiara.



