A sede social da Associação Atlética Caldense foi palco, na última sexta-feira (20 de março), de um debate estratégico sobre o futuro institucional do clube. O encontro, intitulado “Modernização do Futebol e o Clube-Empresa”, reuniu especialistas, dirigentes e a comunidade jurídica para detalhar o funcionamento das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) e as novas dinâmicas de organização interna das agremiações esportivas. O evento foi viabilizado por uma parceria entre a OAB-MG, através da Subseção de Poços de Caldas e sua Comissão de Direito Desportivo, e a própria Caldense.
A discussão contou com a participação de Sérgio Santos Rodrigues, advogado, deputado federal e ex-presidente do Cruzeiro, além de Marcos Lincoln Padilha dos Santos, diretor jurídico do clube da capital e diretor institucional da OAB-MG. O público de aproximadamente 75 pessoas, composto por conselheiros, diretores, associados, advogados e estudantes, acompanhou a exposição de caminhos técnicos para a transição do modelo associativo para o empresarial.

Planejamento estratégico e busca por investidores
A diretoria da Caldense encara o debate como um passo fundamental para uma possível mudança estrutural. O presidente do clube, Rovilson Ribeiro, afirmou que o entendimento sobre o mecanismo da SAF é essencial para o plano de atrair investidores e garantir a evolução do departamento de futebol. Segundo o mandatário, o objetivo central é permitir que a Caldense tenha recursos para investir nas categorias de base e assegurar a participação em competições de alto nível durante toda a temporada, estabelecendo um calendário anual robusto.
Rovilson ressaltou que a gestão prioriza a transparência e a proximidade com o Conselho Deliberativo. Para ele, o esclarecimento técnico oferecido por quem liderou processos semelhantes em grandes clubes ajuda a despertar o interesse de grupos investidores e prepara a instituição internamente para os desafios da modernização.

A experiência prática e os riscos da transição
O diretor jurídico do Cruzeiro, Marcos Lincoln, compartilhou a vivência prática da transição vivida pelo clube celeste. Ele alertou que a transição para SAF não deve ser encarada como um processo simples, descrevendo-a como uma jornada que exige profunda comunhão de interesses entre associados, conselheiros e gestores. Lincoln enfatizou a necessidade de não “queimar etapas”, defendendo que todo o projeto deve ser sustentado por estudos de viabilidade, escolha criteriosa de parceiros e responsabilidade com a tradição da agremiação.
O foco, segundo o especialista, deve ser a construção de uma estrutura profissional que alcance não apenas o futebol, mas a organização como um todo. Ele também sinalizou que parcerias entre clubes, como Caldense e Cruzeiro, são caminhos viáveis para o fortalecimento do esporte, independentemente do modelo administrativo adotado.
Visão institucional e futuro sustentável
O presidente do Conselho Deliberativo da Caldense, Leandro Moreno, reforçou que a busca por um futebol autossustentável é uma tendência nacional da qual o clube não pode se isolar. Já Otacílio Andreatta, presidente da OAB Poços de Caldas, destacou o papel técnico da Ordem em prover um debate jurídico qualificado sobre a Lei da SAF, promovendo conexões que podem gerar oportunidades futuras para o cenário esportivo local.
Sérgio Rodrigues encerrou as exposições utilizando o caso do Cruzeiro como um exemplo de reconstrução após uma crise severa. Ele ponderou que, embora a SAF seja um modelo eficaz para atrair capital e profissionalizar a gestão, cada clube deve respeitar suas particularidades. Para o palestrante, a separação entre o futebol profissional e o clube social pode servir como um motor de evolução para a Caldense, posicionando-a como um exemplo de gestão moderna no futebol brasileiro.
O encontro consolidou a intenção da Caldense de buscar um equilíbrio entre a preservação de sua essência associativa e a necessidade de crescimento econômico. O debate sobre a SAF surge, assim, como a principal alternativa para garantir a sustentabilidade e a competitividade do clube no cenário profissional de longo prazo.
Fonte: Caldense.



