A diretoria administrativa do Botafogo trabalha nos bastidores para impedir que John Textor retire o clube da estrutura da Eagle Holding. O movimento do empresário americano, que busca emitir novas ações da SAF para manter o controle majoritário, é visto com desconfiança pela associação. Embora Textor alegue que a manobra visa atrair novos parceiros de investimento, como a GDA LUMA e a Hutton Capital, os representantes do clube social temem que a real intenção seja desvincular o Alvinegro da holding para facilitar o endividamento e o repasse de recursos para outras equipes de sua rede multiclubes.
A preocupação central reside no que é identificado como um padrão de drenagem de recursos da SAF brasileira para sustentar operações deficitárias no exterior. Estimativas indicam que, em um período de quatro anos, aproximadamente R$ 138 milhões foram retirados do Botafogo. O mecanismo utilizado envolve operações de antecipação de recebíveis, conhecidas como factoring, e o direcionamento de verbas para clubes como o Lyon, da França, e o RWDM Brussels, da Bélgica.
Detalhes das operações financeiras e repasses internacionais
Um exemplo recente dessa dinâmica envolve um empréstimo de US$ 25 milhões (cerca de R$ 128 milhões) contraído pelo Botafogo. Desse montante, apenas US$ 10 milhões (R$ 51,5 milhões) foram destinados à quitação de dívidas com o Atlanta United referentes à contratação de Thiago Almada, medida necessária para encerrar um transfer ban imposto pela Fifa.
O restante do capital teria sido pulverizado na rede de clubes de Textor. Uma parte considerável foi enviada ao RWDM Brussels após a recontratação do jogador Huguinho, uma transação que a diretoria associativa classifica como desnecessária. O repasse já estava previsto nas cláusulas do contrato de empréstimo, mas a falta de documentação detalhada e transparência levou o Conselho de Administração da SAF a se abster na votação que liberaria a operação.
Riscos jurídicos e a disputa pelo controle da Eagle
A tentativa de Textor de romper com a Eagle Holding é vista como um risco jurídico elevado para o Botafogo. O clube possui um contrato vigente com a holding e teme que uma ruptura deixe a SAF vulnerável, especialmente diante das disputas judiciais que ocorrem na Inglaterra pelo controle da própria Eagle. Na matriz europeia, Textor já perdeu o direito de nomear novos administradores, embora permaneça como acionista majoritário.
Atualmente, o empresário mantém o comando da SAF por meio de uma liminar obtida na Justiça do Rio de Janeiro. No entanto, essa decisão está sob análise de um tribunal arbitral e pode ser revogada a qualquer momento. Caso a liminar caia, Textor poderá perder o controle efetivo da administração. Para proteger os direitos da associação, o presidente João Paulo Magalhães resiste às investidas do americano, apoiando-se no acordo de acionistas que é monitorado judicialmente.
Estratégias de proteção e alternativas para o futuro
Diante da instabilidade, o Botafogo avalia caminhos para garantir a sustentabilidade do projeto. Uma das alternativas discutidas internamente é o pedido de recuperação judicial da SAF. O objetivo seria reestruturar o passivo e organizar o pagamento aos credores de forma protegida, seguindo modelos já adotados pelo próprio clube social e por outras SAFs brasileiras, como a do Vasco.
Outra frente de atuação é a busca por novos investidores que possam adquirir a participação na SAF, uma opção que, embora projetada para o futuro, já possui movimentações preliminares. No campo jurídico, o cenário é de confronto direto: existe uma ação da SAF contra a Eagle cobrando a devolução de valores enviados ao Lyon, enquanto a Eagle move um processo contra a SAF tentando anular as decisões que mantêm Textor como controlador de fato do Botafogo.
Fonte: O Globo.



