O Feira Futebol Clube apresentou, em sua primeira coletiva oficial de imprensa, um projeto que combina ambição esportiva, estrutura empresarial e forte apelo de identidade local. Organizado como SAF, o clube detalhou na Arena Cajueiro, em Feira de Santana, o desenho institucional e esportivo com o qual pretende disputar a Segunda Divisão do Campeonato Baiano em 2026, buscar o acesso à Série A estadual ainda nesta temporada e iniciar a estruturação das categorias de base em 2027.
A apresentação reuniu o presidente Marcus Rios, o empresário e investidor Neto Lima, ligado à Mansão Green, e o atacante Thiago Galhardo, principal contratação anunciada pelo clube. O trio ajudou a consolidar a mensagem central do novo projeto: o Feira FC quer nascer com escala, competitividade e visibilidade, sem se colocar como mais uma iniciativa periférica do futebol do interior.
Desde o início da exposição pública, o discurso foi sustentado sobre três pilares: planejamento de médio e longo prazo, uso de marketing e entretenimento como ferramentas de crescimento e forte associação simbólica com Feira de Santana. A direção insistiu que o clube quer representar a cidade esportivamente, mas também se posicionar como agente de mobilização local, com impacto sobre imagem, comércio e circulação de público.
Investimento previsto chega a R$ 20 milhões em até três anos
O dado mais forte apresentado pelos dirigentes foi a previsão de investimento total entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões ao longo de até três anos. Segundo Neto Lima, esse período será usado para consolidar a operação, escalar o projeto e estruturar o clube de forma consistente.
A lógica apresentada é a de um investimento de ciclo mais longo. Primeiro, o foco estará em estrutura, elenco, operação e construção de marca. Depois, viria a busca por equilíbrio econômico e geração de valor. A direção reforçou que o projeto não foi desenhado para depender de endividamento e que os recursos iniciais são próprios, com complemento de patrocinadores e parceiros comerciais.
A frase de Neto Lima resumiu esse horizonte financeiro:
“O investimento previsto total é de 15 a 20 milhões. O investimento previsto em até 3 anos”.
Marcus Rios reforçou a mesma linha ao afirmar que este não é o momento de buscar retorno financeiro. Segundo o presidente, a prioridade atual é investir, estruturar e tornar o clube competitivo. Nesse contexto, o Feira FC informou que pretende praticar preços acessíveis para ingressos e camisas, com o objetivo de ocupar o estádio, ampliar a adesão popular e consolidar presença local antes de avançar para uma exploração mais agressiva de receitas.
Acesso à Série A do Baiano é tratado como meta imediata
O projeto esportivo foi apresentado sem rodeios: o objetivo inicial é disputar a Série B do Baiano de 2026 para subir já na primeira tentativa. A direção considera que o acesso neste primeiro ciclo é parte essencial da afirmação do clube e do ganho de credibilidade do projeto.
Ao falar sobre o cronograma, Neto Lima reforçou a necessidade de resultados rápidos. Em uma das falas mais diretas da coletiva, afirmou: “O projeto tem que obter êxito até 3 anos”.
Em outro momento, resumiu o tom da proposta com ainda mais clareza: “A gente não tá pra brincar disso”.
A estratégia para reduzir incertezas passa por uma montagem de elenco acima do padrão normalmente visto para a divisão que o clube pretende disputar. Os dirigentes indicaram que buscaram jogadores com maior experiência para elevar o nível competitivo e transmitir ao mercado a mensagem de que a equipe foi estruturada para competir imediatamente.
Thiago Galhardo é apresentado como rosto esportivo e mercadológico do projeto
A contratação de Thiago Galhardo foi tratada como um movimento estratégico para reposicionar o clube desde o primeiro dia. Mais do que reforço técnico, o atacante foi apresentado como peça de visibilidade, credibilidade e tração institucional.
Segundo Neto Lima, a chegada de Galhardo funciona como um selo de confiança para o mercado, para outros atletas e para o público. O entendimento da direção é de que um nome com circulação nacional, histórico em clubes de maior expressão e alta exposição recente ajuda o Feira FC a encurtar etapas na construção de reputação.
Pelas declarações dadas na coletiva, o clube entende que o impacto da contratação ultrapassa o campo. A presença do jogador ampliou o alcance nas redes sociais, aumentou o espaço em veículos esportivos de cobertura nacional e fortaleceu o discurso de que o Feira FC pretende operar em um padrão acima do habitual para o contexto em que se insere neste início.
O próprio jogador explicou que mudou seus planos ao conhecer o projeto. Segundo Galhardo, ele já havia decidido encerrar a carreira, mas recuou após visitar a estrutura e conversar diretamente com os responsáveis pelo clube. Em uma das declarações mais emblemáticas do evento, disse:
“Esse cara me ligou e eu nunca fechei tão rápido uma negociação”.
Ao falar da meta pessoal, foi ainda mais objetivo:
“O objetivo está claro: fazer o máximo de gol possível, assistência e ser campeão”.
Clube aposta em identidade local, internet e experiência de entretenimento
A construção de torcida foi apresentada como outro ponto central do projeto. A direção indicou que pretende desenvolver essa identidade em três frentes.
A primeira é a ligação direta com Feira de Santana, expressa no nome do clube e nas referências simbólicas do escudo e das cores. A segunda é o investimento na internet como plataforma de alcance, usando redes sociais, linguagem de entretenimento e anúncios com grande repercussão. A terceira é a tentativa de atrair crianças, adolescentes e famílias, oferecendo experiência de estádio para além da partida.
Segundo os dirigentes, o futebol não deve ser tratado apenas como um evento de 90 minutos. A ideia é transformar o estádio em espaço de convivência, com pré-jogo, pós-jogo e ações voltadas a um público mais amplo. Neto Lima sintetizou essa visão ao afirmar:
“Inovação está no nosso DNA”.
Esse discurso ajuda a explicar por que o marketing apareceu como elemento central desde a primeira apresentação pública. O clube argumenta que o crescimento rápido nas redes sociais e a presença em grandes portais esportivos indicam que a estratégia de comunicação já produz efeito. O objetivo é construir uma imagem de novidade, ousadia e ruptura com modelos mais tradicionais de gestão do futebol do interior.
Categorias de base ficam para 2027
Embora o clube tenha apresentado ambição alta no profissional, a estruturação da base foi colocada em um segundo momento. A direção informou que pretende iniciar esse processo em 2027, depois da consolidação inicial do futebol profissional e do calendário competitivo.
Os dirigentes destacaram que a formação de atletas não será tratada como improviso nem apenas como mecanismo de geração futura de receita. O clube afirma ver a base como uma área que exige responsabilidade técnica, social e educacional. Por isso, a implantação só deve avançar quando houver condição de oferecer suporte adequado, com profissionais de áreas como nutrição, pedagogia e acompanhamento humano.
Marcus Rios apontou esse horizonte ao dizer:
“Acredito que ano que vem a gente já inicia o processo de certificação de clube formador”.
Como a coletiva apresentou 2026 como o ano da estreia competitiva do projeto profissional, o cronograma indicado aponta para uma organização efetiva da base em 2027.
Feira FC tenta se vender como vitrine da cidade
Outro ponto recorrente da coletiva foi a tentativa de associar o clube a uma agenda de valorização de Feira de Santana. Os dirigentes defenderam que o projeto não deve ser visto apenas como empreendimento esportivo privado, mas como iniciativa capaz de irradiar visibilidade para a cidade, movimentar o comércio, fortalecer a rede hoteleira, gerar pauta jornalística e ampliar a circulação do nome do município em escala mais ampla.
Esse discurso apareceu vinculado à decisão do grupo de manter a operação em Feira de Santana, mesmo tendo outros negócios e capacidade de atuação em centros maiores. A construção simbólica é clara: o clube quer se apresentar como expressão de orgulho local e plataforma de projeção externa da cidade.
Ao mesmo tempo, a direção procura transformar esse argumento em ativo de adesão popular, convidando a população a se conectar com o clube desde a origem e a enxergá-lo como projeto de representação territorial, não apenas como time em formação.
Projeto nasce com ambição alta e também com pressão por entrega
O lançamento público do Feira FC coloca no futebol baiano um projeto com grau incomum de ambição para padrões recentes do interior. A previsão de investir até R$ 20 milhões em três anos, a contratação de um nome conhecido nacionalmente e a meta de acesso já em 2026 revelam a tentativa de nascer com escala, reputação e capacidade de mobilização.
Isso diferencia o clube de iniciativas menores, mas também eleva a pressão desde o primeiro momento. No futebol brasileiro, a distância entre discurso forte e entrega concreta costuma ser o principal teste de credibilidade.
Ainda assim, há elementos relevantes no desenho apresentado. A preocupação declarada com responsabilidade na implantação da base, a recusa em improvisar na formação de jovens e a tentativa de articular sustentabilidade econômica com construção de marca indicam que o projeto busca se apresentar com método e planejamento.
No fim, a credibilidade do Feira FC será medida menos pelo impacto da coletiva e mais pela capacidade de cumprir o que prometeu: respeitar prazos, sustentar o investimento, manter elenco competitivo, ocupar espaço na cidade e transformar alcance digital em resultado esportivo e presença de público.
Fonte: Jornal Grande Bahia.



