A migração do Atlético-MG para o Futebol Forte União (FFU), anunciada em outubro do ano passado, ainda não foi oficializada e enfrenta desafios que podem impedir a concretização do movimento. Embora o clube já tenha fechado um acordo com a investidora Sport Media Participações S.A., vendendo 10% de seus direitos de transmissão e comerciais por um período de 50 anos, a entrada definitiva no bloco depende de critérios rigorosos de votação entre os atuais membros.
O estatuto do grupo estabelece que a admissão de novos integrantes requer um quórum de aprovação de, no mínimo, 90% dos votos. Atualmente, o FFU conta com 30 membros, o que significa que a oposição de apenas quatro clubes seria suficiente para barrar a entrada do Atlético-MG ou de qualquer outra equipe, como o Grêmio, que também tenta realizar o mesmo movimento. Além disso, a Sport Media Participações detém 20% das cotas do Condomínio Forte União, o que torna o aval da investidora indispensável para qualquer decisão sobre novos parceiros.
O vínculo com a Sport Media e a autonomia da SAF
Mesmo sem o registro oficial no FFU, o Atlético-MG já está atrelado contratualmente à Sport Media. Se os termos forem idênticos aos praticados no condomínio do bloco, o fundo passa a ter exclusividade para negociar os contratos de mídia e propriedades comerciais do clube pelas próximas cinco décadas.
Diferente de clubes associativos, o Atlético-MG, por ser uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF), possui maior agilidade administrativa para essas transições. O clube não depende de votações no Conselho Deliberativo para alterar sua posição entre os blocos de negociação, o que simplifica o processo interno, mas não elimina a necessidade de aprovação externa pelos membros do grupo de destino.
Motivações para a saída da Libra
A decisão de deixar a Liga do Futebol Brasileiro (Libra) e buscar o FFU foi motivada por uma insatisfação crescente com os rumos do grupo anterior. O descontentamento intensificou-se após Luiz Eduardo Baptista, o Bap, assumir a presidência do Flamengo e questionar publicamente os acordos de mídia firmados coletivamente. O ápice do conflito ocorreu quando uma ação judicial bloqueou temporariamente pagamentos de aproximadamente R$ 80 milhões que seriam repassados pela Globo aos clubes da Libra.
Ao comunicar sua saída em outubro, o Atlético-MG enfatizou que o desenvolvimento do futebol depende da cooperação e criticou o que chamou de “atitudes individualistas” que comprometem o propósito comum. Anteriormente, o clube já havia visto naufragar uma proposta de venda de 12,5% de seus direitos à Mubadala Capital, após o Flamengo manifestar discordância com os termos oferecidos na época.
Investigações do Cade e o cenário jurídico
O processo de migração também foi impactado por investigações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O órgão apurou a prática de “gun jumping” — operações realizadas antes da aprovação obrigatória — em ambos os blocos.
Em fevereiro deste ano, a Libra foi multada em R$ 559 mil, valor dividido entre seus membros de maior arrecadação (Flamengo, Palmeiras, São Paulo, Santos e Grêmio). Já o Futebol Forte União teve seu contrato homologado pelo Cade, que afastou as suspeitas de irregularidades. Dirigentes indicam que essa análise técnica foi um dos fatores que atrasaram a entrada formal do clube mineiro no novo grupo.
O paralelo com o caso do Grêmio
O cenário vivido pelo Atlético-MG assemelha-se ao do Grêmio, que se movimenta para deixar a Libra e ingressar no FFU. O clube gaúcho deve realizar uma votação em seu Conselho Deliberativo para autorizar a mudança e a venda de 10% de seus direitos à Sport Media, em um negócio estimado em R$ 100 milhões.
Caso o Grêmio enfrente resistência no quórum de 90% exigido pelo bloco, o modelo de parceria direta com a investidora, já adotado pelo Atlético-MG, pode surgir como uma alternativa para a capitalização imediata do clube sem a necessidade de integração oficial ao condomínio de clubes.
Fonte: Máquina do Esporte.



