Os bastidores do Corinthians enfrentam um novo período de turbulência após o encerramento abrupto da reunião do Conselho Deliberativo voltada à reforma estatutária, ocorrida na última segunda-feira. O desdobramento mais recente da crise é o pedido formal de afastamento cautelar de Romeu Tuma Jr., presidente do Conselho, protocolado pelo presidente do clube, Osmar Stabile, junto à Comissão de Ética da instituição.
O conflito central baseia-se em uma acusação de ameaça. Segundo o mandatário do Timão, Tuma Jr. teria proferido palavras intimidatórias contra ele nas dependências do clube. O episódio teria ocorrido na última sexta-feira, em uma pizzaria interna do Parque São Jorge, onde ambos jantavam em mesas separadas. Stabile afirma que, após uma discussão entre Tuma e um associado, o presidente do Conselho teria passado por sua mesa e dito: “Ou faz o que eu quero ou vou te f***”.
Stabile relatou ter ficado profundamente magoado com o ocorrido e afirmou que pessoas ao seu lado confirmaram ter ouvido exatamente a mesma frase. O presidente reforçou a gravidade do fato em declarações dadas logo após a suspensão do encontro do Conselho Deliberativo.
Defesa e contra-ataque de Romeu Tuma Jr.
Romeu Tuma Jr. rebateu as acusações de forma enfática, classificando a atitude de Stabile como lamentável e prejudicial à imagem institucional do Corinthians. O dirigente negou ter feito qualquer ameaça ao presidente e argumentou que, se as alegações fossem verdadeiras, o mandatário deveria ter seguido os ritos estatutários e acionado os órgãos competentes de imediato.
Em sua versão dos fatos, Tuma Jr. revelou ter registrado um Boletim de Ocorrência ainda na sexta-feira, mas por um motivo diferente: uma discussão ríspida com o associado Osni Fernando Luiz, conhecido como “Cicatriz”. O presidente do Conselho alega ter sido vítima de intimidação e ameaça por parte do torcedor, que já possui histórico de suspensão no clube.
No documento policial, Tuma incluiu críticas à postura de Stabile, afirmando que o presidente estava presente no momento da confusão com seus seguranças e não tomou nenhuma providência. Além disso, o dirigente questionou a suposta recontratação de Aldair Borges para o quadro de segurança do clube. O profissional em questão foi investigado anteriormente por suposta sabotagem ao trabalho da polícia durante a votação da admissibilidade do impeachment de Augusto Melo, ao esconder grades de contenção que isolavam a frente do clube.
Divergências sobre a segurança interna
A questão da segurança tornou-se um ponto adicional de atrito entre os líderes. Enquanto Tuma Jr. afirma ter visto o segurança investigado circulando pelo clube e solicitou à Comissão de Ética que requisite as imagens das câmeras da pizzaria e dos andares para comprovar sua presença, Osmar Stabile nega categoricamente que o profissional tenha retornado ao quadro de funcionários.
Tuma Jr. reforçou que sua representação inicial à Comissão de Ética, feita na manhã de segunda-feira, visava a apuração dos fatos em que se considera vítima e o esclarecimento de situações que considerou estranhas na administração interna.
Reincidência de conflitos no Conselho
Este é o segundo pedido de afastamento enfrentado por Romeu Tuma Jr. partindo de um presidente da diretoria executiva. Em janeiro de 2025, o então mandatário Augusto Melo também tentou remover o dirigente do cargo, alegando falta de imparcialidade na condução do processo de impeachment. Naquela ocasião, Melo e Tuma chegaram a precisar de intervenção para conter uma discussão acalorada durante uma reunião. Augusto Melo acabou destituído da presidência em agosto do mesmo ano, consolidando um histórico de tensões entre a presidência do clube e o comando do Conselho Deliberativo.



