Os empresários Rubens e Rafael Menin, principais investidores da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Atlético, estão finalizando os trâmites para realizar uma nova capitalização na Galo Holding. A operação, que deve ser concluída em aproximadamente 45 dias, possui o objetivo estratégico de reforçar a estrutura financeira da empresa e, simultaneamente, reduzir de forma drástica a participação do banqueiro Daniel Vorcaro no negócio.
Atualmente, a Galo Holding detém 75% das ações da SAF atleticana, enquanto os 25% restantes pertencem à associação civil do clube. Com a nova injeção de recursos, a família Menin, que hoje possui 41,8% da holding, deve ultrapassar a marca de 50% de participação, tornando-se acionista majoritária e consolidando sua liderança na gestão do futebol alvinegro.
Redução da participação de Daniel Vorcaro
O movimento de capitalização impactará diretamente a fatia de Daniel Vorcaro na sociedade. Entre 2023 e 2024, o banqueiro aportou cerca de R$ 300 milhões na Galo Holding por meio do fundo de investimento em participações Galo Forte, adquirindo aproximadamente 27% da empresa. Como ele não deve acompanhar o novo aporte financeiro, sua participação será diluída para algo próximo de 5%, o que o tornará um acionista minoritário com influência limitada.
A decisão de minimizar a presença de Vorcaro ocorre em um momento de forte desgaste nos bastidores. O empresário, ligado ao Banco Master, está preso desde o dia 4 de março. O grupo de investidores já vinha demonstrando desconforto com os escândalos envolvendo o nome do banqueiro, o que motivou medidas graduais de afastamento.
Histórico de afastamento e questões de governança
O processo de exclusão de Vorcaro das decisões do clube não é recente. Em novembro do ano passado, os acionistas da SAF aprovaram sua destituição do conselho de administração. A medida foi fundamentada em normas de governança, uma vez que os impedimentos legais enfrentados pelo banqueiro geravam obstáculos para o exercício regular de suas funções na sociedade.
Além disso, em outubro, o Atlético enviou uma notificação formal cobrando esclarecimentos sobre a origem dos R$ 300 milhões investidos por Vorcaro. O questionamento citou a Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, que investiga conexões entre fintechs, empresários de postos de combustíveis e o crime organizado.
Estrutura atual da Galo Holding
Além da família Menin e de Daniel Vorcaro, a Galo Holding conta com outros investidores relevantes:
- Ricardo Guimarães: empresário ligado ao Banco BMG.
- Fundo de Investimento do Galo (FIGA): composto por recursos arrecadados junto a torcedores atleticanos.
A capitalização liderada pelos Menin, donos de empresas como MRV, Banco Inter e Log Commercial Properties, visa dar mais fôlego financeiro à holding e garantir que a gestão do Atlético permaneça sob um controle societário mais estável e alinhado aos padrões de governança exigidos pela SAF.



