Laura Quevedo tornou-se a primeira mulher a presidir o Conselho Deliberativo do Brasil de Pelotas em setembro de 2025, assumindo um cargo historicamente ocupado por homens em um clube centenário. Sua eleição marcou uma transformação cultural dentro da instituição e coincidiu com um dos momentos mais decisivos da história do Xavante: a transição para o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
A presidente destaca que sua posição reflete o trabalho de diversas mulheres que contribuíram para que esse momento se tornasse possível. Ela reconhece tanto a realização pessoal quanto o significado histórico para o clube, que nunca havia tido uma mulher nesse cargo.
Da arquibancada à presidência
A relação de Laura com o Brasil de Pelotas começou na adolescência, sem tradição familiar de frequentar estádios. Aos 14 anos, ela entrou pela primeira vez na Baixada e se identificou imediatamente com o ambiente do Bento Freitas. O momento de ouvir a chamada da Garra, torcida organizada, provocou uma reação física que a fez perceber que aquele era o seu lugar.
A aproximação com a gestão do clube aconteceu de forma inesperada em 2021. Laura foi ao estádio para participar de uma ação voluntária de limpeza e acabou convidada para integrar o Conselho Deliberativo. Na ocasião, atuou na eleição da executiva, o que abriu caminho para novas funções dentro do órgão, passando pela secretaria e vice-presidência até receber o convite para liderar uma chapa para a presidência do Conselho.
Embora inicialmente relutante, ela aceitou o desafio motivada pelo desejo de contribuir com o clube, reconhecendo que todos os envolvidos estão dispostos a doar algo em prol da instituição.

Papel decisivo na SAF
A presidência de Laura coincidiu com a transição para a SAF, um dos momentos mais importantes da história do Brasil de Pelotas. O processo teve origem no próprio Conselho Deliberativo, com a criação de um grupo de trabalho dedicado ao estudo do modelo desde o final de 2021. Foram realizados estudos, cursos e análises de outras SAFs pelo Brasil.
Laura conduziu as votações no Conselho e na assembleia, mergulhando no contrato para entender todos os detalhes. As pessoas confiaram nela para ser a porta-voz do processo e esclarecer as dúvidas dos conselheiros.
A etapa final para a conclusão da operação depende da aprovação da Assembleia Geral de sócios, marcada para a segunda-feira, 9 de março, no Bento Freitas. A primeira chamada está prevista para as 19h, e a segunda, às 19h30. Se a assembleia referendar o processo, a operação estará concluída, restando apenas a formalização do contrato com o Consórcio Xavante.
O momento mais marcante
Para Laura, o momento mais significativo de todo o processo ocorreu em outubro do ano passado, quando ela tinha menos de um mês na presidência. Foi responsável por anunciar oficialmente a aprovação da proposta vinculante para a transformação do clube em SAF.
Ao ver o rosto das pessoas no estádio, a esperança no olhar, algumas chorando e outras a abraçando, Laura percebeu a dimensão do que estava acontecendo. Houve quem dissesse que agora seus filhos teriam um Brasil para torcer. Ver a felicidade e a esperança das pessoas foi o momento mais forte para ela.
Liderança em um ambiente masculino
Laura reconhece que existe um padrão cultural que ainda reflete um machismo estrutural. A condução de decisões por uma mulher muitas vezes é observada de maneira diferente. Mesmo assim, ela afirma sentir apoio dentro do clube e espera que sua passagem pela presidência do Conselho represente um passo importante para ampliar a presença feminina no Xavante.
O legado que ela espera deixar é de respeito às pessoas e de mostrar que o futebol tem espaço para todas as mulheres, tanto na arquibancada quanto no administrativo. Ela espera que as meninas que estão hoje na arquibancada, ao vê-la na frente, percebam que aquele espaço também é delas e que possam chegar a posições de decisão no futebol.
Fonte: Gaúcha ZH.



