O Corinthians recebeu nesta quarta-feira uma nova ação de cobrança na Justiça de São Paulo. Um grupo de empresários, representado pela SC & PB Consultoria Assessoria Esportiva, exige o pagamento de aproximadamente R$ 10 milhões. O valor exato cobrado é R$ 9.035.322,35, além de honorários advocatícios — normalmente calculados em 10% do valor da causa —, juros e custas processuais.
O processo afirma que o Corinthians firmou um acordo em novembro de 2023 para repactuar o pagamento de diversas dívidas antigas. O plano previa o pagamento em duas parcelas de R$ 2,5 milhões e outras 36 parcelas de R$ 40 mil. No entanto, apenas uma parcela foi paga.
Os advogados da empresa tentaram contato com o clube para um acordo amigável, mas não obtiveram êxito. O valor original em 2023 era de R$ 6,4 milhões, que já incluía juros de anos anteriores. Com a falta de pagamento, a quantia sofreu a incidência de novos juros e correções, chegando ao montante atual.
Origem das cobranças
Entre os valores cobrados, os empresários alegam ter direito a comissões por intermediação na contratação de Fellipe Bastos, que defendeu o Corinthians em 2017. Hoje comentarista da TV Globo, Fellipe Bastos não retornou mensagem enviada pela reportagem da ESPN.
Também são cobrados valores referentes a direitos de imagem, embora não fique claro de quem seriam esses direitos. O contrato menciona um “termo de quitação de instrumento particular de cessão, distrato e termo de quitação de instrumento particular de contrato de cessão de direitos de uso de nome, apelido desportivo, voz e imagem de atleta e outras avenças”, datado de 27 de agosto de 2018. No mesmo parágrafo, há referência à “Transação Rodrigo Souza”.
O clube não tinha nenhum atleta com esse nome em 2018. O único “Rodrigo Souza” que defendeu o Corinthians foi o ex-atacante Souza, o “Caveirão”, entre 2009 e 2011. Trata-se, portanto, de uma dívida de cerca de 15 anos atrás. Ele era agenciado pelo empresário Carlos Leite, que mantém relação com a SC & PB Consultoria Assessoria Esportiva — o sócio Gustavo Pinheiro é seu advogado em processos contra o clube.
Relação com o Regime de Centralização de Execuções (RCE)
A princípio, os valores cobrados pelos agentes não constam na lista de débitos do RCE (Regime de Centralização de Execuções) proposto pelo clube na Justiça. O plano de pagamento foi recentemente homologado para quitar até R$ 700 milhões em execuções. Como o crédito é anterior a agosto de 2024, ele entrará no RCE posteriormente, quando passar para a fase de execução e cumprimento de sentença.
Entre os débitos incluídos no RCE, apenas em dívidas com agentes, o Corinthians pode ter que pagar mais de R$ 300 milhões.
Posicionamentos e manifestações
O Corinthians ainda não foi notificado da ação e, portanto, não tem conhecimento formal da cobrança. A reportagem da ESPN procurou a empresa por meio do sócio e advogado Gustavo Pinheiro, que informou não poder comentar detalhes do processo. Carlos Leite não respondeu.
Duilio Monteiro Alves, presidente do clube na época do acordo de 2023, enviou uma nota oficial:
“Na minha gestão, foram assinados diversos acordos para reparcelamento de compromissos pendentes. Toda pessoa ou instituição que tem dívidas – e o Corinthians já tinha muitas quando assumi a Presidência – tem o direito de fazer isso. Maliciosamente, inimigos preferem chamar isso de confissão de dívida. Espero que a imprensa não caia nessa armadilha. Desde então, o Corinthians teve dois presidentes e muitos diretores jurídicos. Não há como ter memória disso depois de 3 anos, nem saber se algo foi feito depois da minha gestão.”
Fonte: ESPN.



