O Conselho Deliberativo do Esporte Clube São Bento realiza nesta quarta-feira, 4 de março, uma reunião estratégica para discutir a possível constituição de sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O encontro ocorre em um momento de fragilidade esportiva, logo após a confirmação do rebaixamento da equipe no Campeonato Paulista da Série A2, o que intensificou as discussões internas sobre a necessidade de adoção de um modelo de gestão empresarial.
O retorno de um investidor conhecido
Uma das frentes de negociação é liderada por Rodrigo Pastana, executivo com experiência em clubes como o Guarani. Ele atua como representante de um grupo investidor que já havia apresentado uma proposta vinculante anteriormente, a qual foi preterida pelo Conselho em favor de outras opções que acabaram não avançando. Segundo o gestor, o interesse do grupo na aquisição e construção da SAF do clube de Sorocaba permanece sólido, apesar do revés anterior no pleito.
A intenção inicial dos investidores era intervir de forma imediata para evitar a queda para a terceira divisão estadual. No entanto, limitações regulatórias da Série A2, como os prazos para inscrição de novos atletas e o fato de a comissão técnica já estar definida, impediram mudanças profundas no elenco a tempo de evitar o descenso. O foco atual do grupo, caso o negócio avance, será a melhoria das condições de trabalho e a indicação de profissionais qualificados para a estrutura técnica.
Impasse institucional e histórico de negativas
A viabilização da SAF no São Bento enfrenta um desafio que ultrapassa as propostas financeiras: a falta de consenso interno. Pastana destacou que o clube já rejeitou cinco investidores diferentes em tentativas anteriores, sendo que alguns desses grupos já gerem outras SAFs de sucesso no país. Para o executivo, o entrave principal reside na dificuldade do clube em decidir, de forma definitiva, se deseja seguir o caminho do modelo empresarial.
O grupo representado por Pastana afirma ter oferecido garantias financeiras que não foram apresentadas por outros concorrentes no passado, mas ainda assim não foi tratado como prioridade. A expectativa agora recai sobre a sinalização formal do Conselho para a abertura de um novo processo de construção da SAF ou a manutenção do modelo associativo atual.
Aporte financeiro imediato e o Memorando de Entendimento
Mesmo sem a formalização da venda, houve uma movimentação financeira recente. Rodrigo Pastana intermediou um aporte de R$ 500 mil, valor que já foi transferido para os cofres do clube. Esse recurso foi utilizado para a quitação de débitos urgentes e custeio de despesas do departamento de futebol profissional, incluindo a viabilização de contratações.
Por outro lado, o presidente do Conselho Deliberativo, Wilson Vieira, esclareceu que o documento sob análise no momento não configura uma proposta final de compra. Trata-se de um Memorando de Entendimento (MoU), um instrumento jurídico preliminar que formaliza a intenção de colaboração entre as partes e estabelece as bases para uma negociação futura. A reunião de hoje será determinante para definir se o São Bento avançará para as etapas seguintes de auditoria e contrato ou se o tema permanecerá sem resolução.
Fonte: Jornal Cruzeiro.



