O Grêmio de Esportes Maringá, detentor do título estadual de 1977, ficará inativo durante a temporada de 2026. O clube confirmou que protocolará, no início da próxima semana, um pedido de licença junto à Federação Paranaense de Futebol (FPF). A medida é motivada por uma profunda crise financeira e administrativa, com dívidas acumuladas que ultrapassam o montante de R$ 5 milhões.
A decisão de interromper as atividades ocorre após o Conselho do clube, representado pelo Instituto dos Torcedores do Grêmio de Esportes Maringá (ITGEM), recusar uma proposta de compra integral da agremiação. O objetivo da diretoria é tentar uma reestruturação para retornar aos gramados apenas em 2027, condicionado à captação de novos investidores.
Conselho rejeita oferta e conversão em SAF
No início deste ano, o empresário Rayfran de Andrade Reis, proprietário da Poker Burger e então presidente do Conselho do clube, apresentou uma proposta para adquirir 100% do Grêmio Maringá. A oferta envolvia o pagamento de R$ 300 mil pela compra, a assunção de todas as dívidas existentes e um plano de investimento de R$ 10 milhões para os próximos anos. O projeto previa ainda a conversão do clube em Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
Entretanto, o ITGEM e os conselheiros rejeitaram os termos. Embora favoráveis à criação da SAF, os representantes do instituto exigiam a manutenção de 10% do controle do clube como forma de preservar a identidade junto aos torcedores. Sem um consenso sobre a divisão do controle acionário, a proposta foi retirada e os investidores, incluindo o então presidente Joniel Piassa, o Magrão, deixaram a instituição. Esta foi a segunda tentativa de venda recusada pelo clube desde sua reativação em 2022.
Crise financeira e dívidas imediatas de licenciamento
Para disputar competições profissionais em 2026, o Grêmio Maringá precisaria quitar pendências imediatas que somam R$ 63,5 mil. Esse valor refere-se a:
- R$ 52,6 mil em multas junto ao Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná (TJD-PR).
- R$ 6,5 mil para renovação do alvará na FPF.
- R$ 4,4 mil em taxas da CBF.
De acordo com o ex-dirigente Magrão, a maior parte da dívida com o TJD-PR tem origem em uma multa de R$ 45 mil aplicada devido à falsificação de exames médicos de atletas durante a disputa do Sub-20 em 2025, sob a gestão de Paulo Roberto da Silva. O antigo gestor confirmou a irregularidade e atribuiu a responsabilidade a um prestador de serviços da época, afirmando que pretende quitar o débito caso os valores sejam confirmados.
Além dos custos de licenciamento, a FPF exige a participação em campeonatos de base como pré-requisito para o futebol profissional. A diretoria concluiu que os gastos para manter as categorias de base e o time principal seriam inviáveis sem o aporte de um investidor de grande porte.
Histórico recente de punições e instabilidade
O cenário de insolvência do Grêmio Maringá foi agravado por problemas operacionais graves nos últimos anos. Relatos de despejo de jogadores de hotéis por falta de pagamento, atrasos salariais e processos trabalhistas tornaram-se recorrentes.
No campo esportivo, o clube sofreu um duro golpe na última temporada. Após conquistar a vaga para a segunda fase da Terceira Divisão Paranaense, o time foi punido pelo TJD-PR com a perda de 13 pontos pela escalação irregular de um atleta. A sanção resultou na desclassificação imediata e impediu o avanço da equipe rumo às quartas de final.
Fundado em 1974 e considerado tricampeão paranaense pela unificação de títulos históricos, o Grêmio de Esportes Maringá agora aposta no período de licença para tentar sanar passivos e buscar um modelo de gestão que viabilize sua sobrevivência no cenário esportivo a partir de 2027.
Fonte: GMC Online.



