O Botafogo de Futebol e Regatas viveu na última sexta-feira, 20 de fevereiro, uma nova etapa de seu processo de reestruturação administrativa e financeira. O clube confirmou a segunda leva de demissões em sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF), atingindo nomes estratégicos da comissão técnica permanente e do setor de análise de mercado. Entre os desligamentos mais significativos estão o do auxiliar técnico Cláudio Caçapa e o do coordenador de scout Raphael Rezende.
Este movimento de cortes já contabiliza mais de dez profissionais desligados. Somadas às cerca de 40 demissões ocorridas no último dia 12 de fevereiro, as medidas evidenciam um esforço da gestão para reduzir custos operacionais e buscar maior eficiência administrativa.
Saídas simbólicas no futebol profissional
A demissão de Cláudio Caçapa é vista internamente como um marco simbólico devido à sua identificação com o elenco e torcida. O profissional teve uma passagem de destaque como treinador interino em 2023, quando obteve quatro vitórias em quatro jogos, antes de assumir o RWDM Brussels. Ele retornou ao Glorioso em fevereiro de 2025 para integrar a comissão fixa e voltou a comandar a equipe interinamente após a saída de Carlos Leiria, inclusive dirigindo o time na decisão da Recopa Sul-Americana.
Outra baixa relevante é a de Raphael Rezende, que ocupava o cargo de coordenador de scout. Rezende chegou ao clube em janeiro de 2022, logo no início da implementação da SAF, vindo de uma carreira como comentarista esportivo. Ele foi o responsável por chefiar o departamento de análise de mercado e participou ativamente da reformulação do setor e das contratações estratégicas realizadas nos primeiros anos da gestão empresarial.
Impacto nas categorias de base e no futebol feminino
A reestruturação não se limitou ao time principal. As categorias de base foram fortemente atingidas, com o desligamento de profissionais de scout que atendiam aos sub-17 e sub-20, além de membros da preparação física. Jardel Zamberlan, técnico da categoria sub-17, também integra a lista de funcionários dispensados nesta semana. O departamento de futebol feminino é outro setor que sofreu baixas nesta nova onda de ajustes.
Contexto financeiro e crise societária na Eagle Football
Os cortes ocorrem em um cenário de turbulência nos bastidores da Eagle Football Holdings BidCo, liderada por John Textor. Existe uma disputa societária envolvendo os fundos Ares Management Corporation e Iconic Sports, que buscam recuperar investimentos vinculados a valores enviados a Textor e que ainda não teriam sido quitados.
Recentemente, o Botafogo realizou movimentações financeiras importantes, como a quitação de parcelas atrasadas de direitos de imagem dos atletas no fim de janeiro e o pagamento de uma dívida com o Atlanta United no início de fevereiro, o que permitiu a queda do transfer ban. No entanto, para viabilizar esses pagamentos, John Textor contraiu um empréstimo de 25 milhões de dólares, medida que gerou insatisfação interna.
A estratégia atual da SAF foca na redução de gastos e na otimização da gestão operacional. O objetivo traçado nos bastidores é que a ampliação de receitas e os futuros investimentos sejam direcionados de forma mais direta para o departamento de futebol, visando manter a competitividade da equipe enquanto a estrutura administrativa é redimensionada.
A sequência de desligamentos gera apreensão sobre a estabilidade de projetos de longo prazo iniciados nos primeiros anos da SAF, enquanto o clube busca equilibrar a necessidade de austeridade financeira com as exigências do calendário esportivo de 2026.
Nota oficial do Botafogo
Após quatro anos de operação da SAF, o Botafogo realizou neste mês de fevereiro uma reavaliação cíclica do seu quadro de colaboradores e tomou medidas tendo a eficiência operacional e esportiva como objetivo principal.
O desligamento de um grupo de funcionários visa maximizar os investimentos no Departamento de Futebol e tem como foco a sustentabilidade financeira. Essas medidas garantem o funcionamento eficiente da SAF e a competitividade em campo em todas as temporadas, sejam vitoriosas ou não. O Botafogo, liderado por John Textor, está modernizando sua gestão interna e em breve anunciará novidades.
O Botafogo agradece aos funcionários de saída que ficaram marcados na história do clube. Campeonatos também são conquistados a partir de decisões duras, mas que são necessárias quando se pensa em um propósito maior. O Botafogo seguirá com ambição por títulos e com o suporte de uma gestão eficiente nas áreas corporativa e esportiva.
Fonte: Gazeta Botafogo; Bahia Notícias; Site do Botafogo.



