A possível venda da SAF do Vasco para o empresário Marcos Lamacchia, diretor do fundo Blue Star, encontrou um obstáculo regulatório preliminar. Em conversas informais, a CBF sinalizou ao clube carioca que a negociação pode esbarrar nas normas de Fair Play financeiro, devido ao parentesco de Lamacchia com a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, de quem é enteado.
Embora o aviso ainda não tenha o peso de um veto formal, ele acende um alerta sobre a viabilidade do negócio sob a ótica do Regulamento de Sustentabilidade Financeira da entidade, que já está em vigor para a temporada de 2026.
O conflito de interesses e o Artigo 86
O ponto central do entrave reside no Artigo 86 do regulamento, que veda que uma mesma pessoa ou empresa detenha o controle de mais de um clube na mesma divisão. Essa proibição é extensiva a parentes próximos, como cônjuges, filhos e irmãos.
Em uma análise preliminar da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol, órgão vinculado à CBF, houve o entendimento de que, do ponto de vista jurídico, a figura do enteado se equipara à de um filho. Caso essa interpretação prevaleça, Lamacchia estaria impedido de controlar o Vasco enquanto Leila Pereira ocupar a presidência do Palmeiras.
Status das negociações e exigências do Vasco
Apesar do alerta, as conversas entre o Vasco e o executivo da Blue Star não foram paralisadas. O clube entende que o contato foi apenas informal e que um parecer definitivo só ocorreria após a conclusão do negócio e a devida notificação à CBF. Pelas normas, caso o órgão vete a transação após sua concretização, o clube teria um prazo de 30 dias para regularizar a situação.
As reuniões, que avançaram rapidamente no final do ano passado, tornaram-se mais esparsas em janeiro de 2026, mas o Vasco mantém o interesse e estabeleceu três exigências fundamentais para qualquer comprador:
- Compromisso com a recuperação judicial: O investidor deve assumir integralmente as obrigações do processo.
- Infraestrutura: Promessa de investimentos robustos nos Centros de Treinamento (profissional e base).
- Metas esportivas: Estabelecimento de objetivos de desempenho com previsão de penalidades em caso de descumprimento.
Próximos passos
Até o momento, não houve discussão sobre os valores para a compra das ações. Marcos Lamacchia tem utilizado capital próprio nas tratativas e já teve acesso a dados detalhados sobre a situação financeira da SAF vascaína. Por outro lado, Leila Pereira evitou comentar o assunto, reforçando sua postura de se manifestar exclusivamente sobre temas ligados ao Palmeiras.
O desfecho dependerá de uma análise mais aprofundada da agência de Fair Play da CBF, caso o Vasco decida prosseguir com a troca de comando da sua estrutura empresarial.
Fonte: UOL.
Nota Editorial: Este texto baseia-se em informações apuradas pelo colunista Rodrigo Mattos, do UOL, que relata acontecimentos verificados diretamente ou obtidos por meio de fontes jornalísticas confiáveis. A Sou SAF considera este tema de extrema relevância para o ecossistema das Sociedades Anônimas do Futebol e compartilha este conteúdo para manter nossos leitores informados sobre os desafios regulatórios do setor.



