O Atlético-MG anunciou as diretrizes para a criação do Conselho da Massa, um órgão consultivo que formalizará o diálogo entre a administração da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) e a torcida. A iniciativa visa criar um canal permanente de escuta para auxiliar na tomada de decisões relacionadas à experiência do torcedor e ao relacionamento com o clube, fortalecendo a cultura de participação e pertencimento.
Composição e governança do Conselho
O Conselho será formado por dez membros, com mandato de um ano. Para garantir pluralidade, nove conselheiros serão eleitos democraticamente pela torcida, e um será indicado diretamente pelo clube. As cadeiras eletivas contemplam diferentes perfis:
- Sócios do programa Galo Na Veia.
- Torcidas organizadas.
- Consulados e embaixadas.
- Permissionários de cadeiras cativas ou camarotes da Arena MRV.
- Jornalistas ou influenciadores digitais que cobrem o clube.
Critérios rigorosos de elegibilidade foram estabelecidos para assegurar idoneidade: validação de antecedentes criminais, análise de histórico de punições no clube, tempo mínimo de associação ou atividade ininterrupta de três anos, e frequência comprovada em pelo menos 60% dos jogos na Arena MRV desde a inauguração. Para torcidas organizadas, apenas grupos registrados junto à Polícia Militar de Minas Gerais poderão indicar representantes.
Processo eleitoral e atuação
A seleção ocorrerá por votação no SuperApp do Galo, restrita a sócios ativos do Galo Na Veia. Cada votante escolherá um candidato por categoria. Torcidas organizadas e consulados farão processos internos prévios para definir indicados à eleição geral.
O Conselho realizará no mínimo quatro reuniões ordinárias anuais, em formato híbrido (presencial e on-line), preferencialmente na Arena MRV. A pauta incluirá temas propostos pelos conselheiros e assuntos da diretoria, como visão estratégica, política de ingressos, identidade visual, projetos sociais, internacionalização e governança.
O foco será em demandas coletivas e estruturais, não em casos individuais. Todas as atas e informações sobre membros serão publicadas no site do clube.
Tendência global e proteção contra riscos
A criação do Conselho ocorre em um contexto de proliferação das SAFs, que trouxe profissionalização e investimentos, mas também riscos de descaracterização. A participação estruturada da torcida na governança surge como mecanismo de proteção contra gestões temerárias, conforme apontado pelo especialista Romulo Macedo, mestre em Gestão da Experiência do Consumidor e especialista em Gestão Esportiva.
O modelo adotado pelo Atlético-MG se assemelha aos Fan Advisory Boards da Premier League e MLS, atuando como freios contra decisões unilaterais. Experiências globais mostram que, sem essa integração, a transformação em empresa pode levar a crises financeiras ou perda de identidade, ameaçando a sustentabilidade dos clubes.
Fonte: Máquina do Esporte.



