A ideia da SAF – Sociedade Anônima do Futebol, surgiu com a intenção de profissionalizar a gestão dos clubes de futebol no Brasil, em um esporte que se transformou na maior indústria de entretenimento desportivo.
Os clubes de futebol brasileiros, em sua maioria, são organizações no modelo de Associação Civil sem fins econômicos e, em regra geral, reúne seus associados para elegerem, entre si, o seu Conselho Deliberativo, o seu Conselho Fiscal e a sua Diretoria.
Entretanto, a paixão pelo clube cega os dirigentes de tal forma que, em muitos casos, praticam uma atividade apenas voluntária e não possuem a expertise necessária para o enfrentamento do novo modelo de governança que a sociedade exige. Por isso, nem sempre observam os princípios fundamentais da Administração, que exigem o equilíbrio emocional e a necessidade de sustentabilidade financeira, para controlar o gigante e complexo empreendimento em que se tornaram os clubes de futebol, no mundo e no Brasil.
O modelo até então adotado e histórico nessas agremiações, contribuiu para um oceano de gestões temerárias, que deixaram um legado de clubes em situações pré-falimentares, onde prevaleceu a irresponsabilidade diretiva e a falta de ética e, em muitos casos, suspeitas de corrupção e de gestão fraudulenta. Isso resultou no superendividamento dos clubes, causando prejuízos aos seus credores, sem a punibilidade exemplar e necessária aos envolvidos.
Assim, surge o grande desafio: Meu Clube de Futebol, ASSOCIAÇÃO ou SAF? E esse dilema é uma questão fundamental para a gestão eficaz do clube. E, na hora de decidir isso, é notório ter o conhecimento necessário para escolher, acertadamente, se o empreendimento deverá ser um modelo tradicional de ASSOCIAÇÃO CIVIL sem fins econômicos ou um modelo societário de SAF – Sociedade Anônima do Futebol. Nesse sentido, é importante observar o modelo de governança corporativa adotado, com regras onde o amadorismo não tenha vez e as estruturas de administração profissional estejam comprometidas com a transparência, disciplina e ética. E essas devem prevalecer, com o maior rigor possível, sobretudo naquilo que compete ao seu planejamento orçamentário para uma gestão financeira saudável capaz de suportar os objetivos da organização.
O modelo de Associação Civil sem fins econômicos tem a sua receita obtida por meio do seu quadro de associados e de outras rendas advindas da arrecadação dos jogos e dos patrocínios diversos, que sustentam a estrutura do clube e se espera que a sua diretoria tenha o “comprometimento” com o alcance resultados satisfatórios, única e exclusivamente, na conquista de troféus, sem se importar com os resultados financeiros.
O modelo da SAF – Sociedade Anônima do Futebol, depende de capital financeiro investido por um grupo econômico ou investidores individuais, onde cumpridas as regras estabelecidas pelo diploma legal, têm o “compromisso” de sustentar o clube, agora uma empresa, conforme o seu histórico de conquistas e glórias, porém garantindo de fato um adequado retorno financeiro. Exige, também, uma governança corporativa e profissional, que afasta os clubes do controle amador e passional de seus associados e dirigentes, oportunistas de outrora, e implanta uma administração profissional e moderna, dentro de princípios éticos e morais, transparência e disciplina organizacional.
Concluindo, os clubes de futebol devem ser pensados como empresas e, seja qual for o seu caráter legal, o segredo está no modelo de gestão adotado, com pessoas capacitadas e “comprometidas” para que, com excelência e profissionalismo, o planejamento orçamentário e o controle financeiro possam gerar os resultados esperados pelo projeto escolhido, sem prejudicar, entretanto o seu sucesso desportivo.
Dessa forma, deverá ser possível associar, à paixão desportiva, uma gestão eficaz do esporte.
Arlindo Vicente Jr.
Administrador de Empresas e Advogado, com especialização em Direito Desportivo e em Gestão do Esporte. Membro efetivo do GEGE – Grupo de Excelência em Gestão do Esporte do CRA-SP e da Comissão de Direito Desportivo da OABSP, subseção Santos/SP.



