A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) avança na estruturação de regras para tornar a arbitragem mais profissional, com modelos de contrato finalizados em janeiro e seleção de um grupo inicial de juízes. Em audiência na Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados, Netto Góes, presidente do Grupo de Trabalho da Arbitragem da CBF, anunciou que o foco inclui remuneração, formação padronizada e tecnologias, indo além de uma simples formalização trabalhista.
Criado em outubro, o grupo visa um modelo nacional de capacitação para 2026, preparando árbitros com suporte psicológico, técnico e físico similar ao dos atletas. Atualmente, o Brasil tem 734 profissionais (326 árbitros principais e 408 assistentes), sendo 134 mulheres, que atuaram em 2.730 partidas oficiais este ano. “A CBF tem interesse de profissionalizar os árbitros, e a profissionalização vai muito além de uma carteira assinada”, destacou Góes.
Essa reforma pode elevar a qualidade das decisões em campo, reduzindo controvérsias e impulsionando a credibilidade do futebol nacional.
Demanda por estabilidade
Charles Hebert Cavalcante Ferreira, da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (Anaf), criticou o sistema atual de pagamento por jogo, onde erros resultam em suspensões sem renda. Ele propõe contratos por período (anual, semestral ou bianual) com cotas fixas e bonificações, como em ligas internacionais, priorizando garantia financeira sobre o tipo de vínculo (CLT ou PJ).
O deputado Juninho do Pneu (União-RJ) apoia com o PL 3303/24, que formaliza contratos com entidades organizadoras. Patrícia Sousa Borges, da Universidade do Minho (Portugal), compartilhou experiências europeias: nos Países Baixos, federações gerenciam os laços; Alemanha e Inglaterra usam sociedades empresariais; França, Espanha e Itália tratam árbitros como atletas de alto rendimento — modelo viável para o Brasil.
Danrlei de Deus Hinterholz (PSD-RS), vice-presidente da Comissão, enfatizou: “Ele tem que ter a parte psicológica, técnica e física para exercer da melhor forma”. Esses insights apontam para um ecossistema mais sustentável na arbitragem.
Fonte: Agência Câmara de Notícias.



