Alex Bourgeois, gestor da Portuguesa, avaliou o primeiro ano do clube como empresa. Destacou o ganho de credibilidade e a redução de dívida de R$ 560 milhões para R$ 190 milhões. Porém, reconheceu frustrações em campo, com eliminações precoces em competições e permanência na Série D.
O primeiro ano como SAF foi desafiador para a Portuguesa. Bourgeois descreveu 2025 como um período de “arrumar a casa”. Para entrar no clube, a nova gestão teve que reestruturar dívidas, renegociar contratos com credores e montar o elenco em tempo recorde.
A dívida, estimada em R$ 560 milhões no fim de 2024, caiu em cerca de 66% após aprovação de recuperação judicial. “Nós fizemos uma renegociação com os credores, e a dívida hoje está em torno de R$ 190 milhões. É o que a gente vai pagar dentro do plano de recuperação judicial. Essa equação era importante para que a gente pudesse ter um clube sustentável”, explicou Bourgeois.
A conquista mais importante, segundo o presidente, foi a “virada de chave na credibilidade perante o mercado do futebol”. “Hoje, os clubes de futebol nos enxergam com credibilidade, pegam os nossos jogadores emprestado ou os compram, oferecem jogadores para a gente. Tem muitos empresários nos procurando. No ano passado, a gente procurava os empresários e eles nem queriam falar”, completou.
Decepções em campo e reformulação de prazos
Em campo, porém, 2025 foi um período de frustrações. A Portuguesa tinha planos ambiciosos: subir uma divisão nacional a cada temporada até disputar a Série A novamente em 2029. Porém, eliminada em agosto na Série D, ficou sem calendário desde então.
Antes disso, caiu precocemente no Campeonato Paulista — com duas vitórias apenas, foi a última do seu grupo e nem chegou ao mata-mata. Na Copa do Brasil, foi eliminada na primeira fase.
“No futebol, você faz o planejamento, mas não entra em campo. Os jogadores precisam também fazer a parte deles. Neste ano não deu certo, mas faz parte do processo. Pensando hoje com a cabeça mais fria, teria sido incrível subir no primeiro ano com tudo que a gente teve que enfrentar. Muitos clubes passam três, quatro anos na Série D antes de conseguir subir”, lamentou Bourgeois.
O presidente foi direto ao falar sobre expectativas: “Nem eu, nem meus sócios, nem os colaboradores que trabalham aqui na Portuguesa, vamos conseguir mudar em um ou dois anos, o que não foi feito em 100. As coisas precisam de tempo”.
A Portuguesa anunciou quatro novos atletas em pré-temporada: os meio-campistas Gabriel Pires e Zé Vitor, o zagueiro Eric Botteghin e o lateral-esquerro Gustavo Salomão. A equipe conta ainda com o retorno de jogadores do fim de empréstimos. Mais nomes são previstos para a próxima semana.
Bourgeois mantém a esperança, mas com realismo: “É um projeto que demanda muita coragem, mas isso não necessariamente quer dizer que a gente está sonhando com coisas impossíveis. Eu acho que é possível, nós só temos que, dentro da competição e dentro de cada ano, corrigir o tiro para chegar onde queremos”.
A reforma do Canindé, inicialmente prevista para começar em janeiro de 2026 e durar 40 meses, não tem nova data de início. O clube já anunciou que jogará o Paulistão no estádio. “A questão da reforma depende de trâmites e de regularização na prefeitura de São Paulo. Esse processo demora um pouco, tem muitas questões que a gente teve que se meter para resolver”, explicou o presidente.
O projeto de reforma prevê capacidade para 46.500 pessoas nas arquibancadas, camarotes com 4.685 lugares e arena ampliada para receber 84.500 pessoas em shows e eventos.
Para 2026, as metas são claras mas realistas. Bourgeois não vê a Portuguesa sendo campeã do estadual em futuro próximo. “A gente não pode se iludir, estamos na Série D. Com exceção de talvez dois clubes, é o nível mais baixo do futebol brasileiro no Paulistão. A gente não pode achar que, estando no nível mais baixo, vai competir em grau de igualdade com os times que estão acima da gente”.
A intenção é permanecer na principal divisão paulista e conquistar a vaga na Copa do Brasil de 2027 através do Paulistão. No Brasileiro, o objetivo é alcançar a Série C.
Fonte: ge.Globo.



