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Confiança e Sergipe escancaram diferença em semana de votações

 

Confiança e Sergipe, os maiores rivais do futebol sergipano, vivenciaram uma semana de importantes votações que evidenciou a diferença “escancarada” entre as instituições. No sábado, sócios-torcedores do Confiança aprovaram por unanimidade a transformação em Sociedade Anônima do Futebol pela empresa LG2, capitaneada pelo ex-presidente do Flamengo Rodolfo Landim, com orçamento garantido de R$ 51,2 milhões em três anos para a quitação de dívidas, a construção de Centro de Treinamentos, a modernização de estádio e o fortalecimento esportivo. Dois dias antes, no João Hora de Oliveira, o Sergipe realizou eleição indireta que levou Moisés Santana a presidência em chapa única — a terceira mudança de presidente em apenas um ano. Enquanto o Confiança encerra 2025 com o bicampeonato estadual, um avanço histórico na Copa do Brasil e a aprovação de SAF gerando “expectativa de futuro de grandes realizações”, o Sergipe enfrentou um ano complicado com eliminações precoces, crise financeira com atrasos salariais e instabilidade administrativa que marca a instituição.

 

Proposta de SAF do Confiança foi aprovada por unanimidade

 

Confiança: aprovação unânime e expectativa de transformação

O Confiança concluiu 2025 com uma sequência de êxitos que culminaram em aprovação unânime de transformação em SAF. O bicampeonato estadual, o avanço à segunda fase da Copa do Brasil pela primeira vez em 12 anos, o desempenho próximo ao G8 da Série C (apesar de campanha oscilante) e a chegada inédita a final de Copa do Nordeste compõem uma trajetória que ofereceu ao clube a legitimidade para transformação estrutural. Esses resultados não apenas geraram receitas de prêmios que potencializaram os “cofres” do clube, mas também construíram uma narrativa de instituição em trajetória ascendente — elemento crítico para que um investidor como Landim decidisse investir em clube regional.

A aprovação unânime reflete a confiança de sócios-torcedores num projeto de reestruturação. Diferente de votações que frequentemente enfrentam resistência de setores reticentes sobre profissionalização, a aprovação do Confiança sugeriu que a comunidade do clube reconhecia a necessidade de transformação. A SAF oferece um orçamento de R$ 51,2 milhões distribuído em três anos, considerando o faturamento de base, novas receitas desenvolvidas pela SAF e aportes do Fundo de Investimentos. As prioridades de investimento — quitação de dívidas (pré-requisito para sustentabilidade), construção de infraestrutura (Centro de Treinamentos), modernização de estádio, fortalecimento de elenco e base — refletem uma estratégia que combina resolução de problemas herdados com um investimento em crescimento futuro.

A situação do Confiança em 2025 oferece um exemplo de como os resultados esportivos, estabilidade administrativa e visibilidade nacional criam condições para a transformação bem-sucedida em SAF. O clube que havia permanecido fora das divisões nacionais por prolongado período consolidou-se através de uma sequência de avanços incrementais: retorno à Série C, passagem pela Série B, resultados históricos no Nordeste. Esses 12 anos — desde quando o Confiança “não disputava nenhuma divisão nacional” em 2013 — demonstraram a capacidade de organização e execução que tornava o clube atrativo para um investidor profissional como Landim.

 

Eleição indireta de Moises Santana como presidente do Sergipe

 

Sergipe: terceira presidência em um ano e instabilidade estrutural

O contexto do Sergipe oferece um contraste agudo. Dois dias antes da aprovação da SAF do Confiança, o Sergipe realizou uma eleição indireta para escolher o terceiro presidente em um ano. Moisés Santana foi eleito em chapa única, com Roberto Vasconcelos como vice, após a renúncia de Clóvis Barbosa.

A linha temporal é reveladora de uma instabilidade sistemática. Júnior Torres foi eleito pelos sócios em outubro de 2024 e assumiu em novembro, mas renunciou em julho de 2025 em meio a denúncias de improbidade administrativa. Clóvis Barbosa, que havia sido eleito indiretamente após a saída de Júnior, renunciou após apenas três meses. Moisés Santana, que havia perdido a eleição para Júnior Torres em outubro de 2024, retorna agora à presidência em eleição indireta. Esse ciclo de três presidentes em um ano reflete a dificuldade estrutural de atrair e manter lideranças capazes de conduzir o clube de forma estável.

A crise administrativa do Sergipe reflete-se também em resultados desastrosos de 2025. O clube foi eliminado na fase preliminar da Copa do Nordeste, terminou em sétimo no estadual, caiu na primeira fase da Copa do Brasil, foi eliminado na segunda fase da Série D. O único calendário para 2026 veio de um vice-campeonato da Copa Governo do Estado. Simultaneamente, o clube enfrentou uma crise financeira com relatos públicos de jogadores com meses de salários atrasados e a falta de atendimento médico necessário.

O contraste com a trajetória do Confiança é evidente. Enquanto Dragão acumulou títulos e resultados históricos em 12 anos de organização progressiva, o Sergipe — clube que havia sido protagonista do futebol sergipano — perdeu sua capacidade competitiva e administrativa. Desde que Antônio Soares da Mota (Motinha) deixou o clube em 2010 após 28 anos no comando, o Sergipe teve nove presidentes em 15 anos — Moisés Santana será o décimo. Destes, apenas Ernan Sena foi eleito e cumpriu mandato até sua conclusão. Essa rotatividade crônica de lideranças impossibilita a implementação de projetos de médio e longo prazo.

As divergências dentro dos Conselhos Deliberativo e Fiscal do Sergipe indicam falta de coesão institucional em torno de visão estratégica compartilhada. Para um clube em crise, essa desunião é particularmente prejudicial, pois impossibilita a mobilização dos recursos e energias necessários para uma reversão de trajetória negativa.

 

O significado da divergência

A análise do contraste entre Confiança e Sergipe oferece uma lição sobre a importância da estabilidade administrativa e organização institucional em futebol profissional. O Confiança é uma instituição regional que conseguiu se organizar, executar projetos incrementais e construir credibilidade, o que permitiu atração de investidor de qualidade. Esse êxito não resultou de vantagens estruturais, mas de decisões administrativas coerentes ao longo de período prolongado.

O Sergipe possui “combinação quase única no estado de títulos, história e torcida” que ofereceria um lastro importante para pensar em reestruturação ampla. Porém, trabalho leva tempo, exige organização e união entre todos dentro do João Hora — condições que o clube não consegue reunir. A rotatividade crônica de presidentes, as divisões entre conselhos e as crises financeiras contínuas são sintomas de desorganização institucional que permeia a governança do clube.

Numa semana em que dois grandes rivais vivenciaram votações críticas, a diferença não estava apenas em escolhas específicas (SAF versus nova presidência), mas na capacidade institucional de tomar decisões estratégicas e implementá-las. O Confiança olha para futuro com expectativa, enquanto o Sergipe permanece precisando se resolver com seu presente.

 

Fonte: ge.globo.

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