O Guarani Futebol Clube convocou assembleia extraordinária do Conselho Deliberativo para segunda-feira (27), às 19h, a fim de discutir a implantação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A reunião, de caráter consultivo, marca o próximo passo após a reforma do estatuto social que abriu caminho legal para a transformação. O objetivo é que o conselho delibere sobre recomendação favorável ou contrária à mudança de modelo de gestão, com expectativa de que a SAF se torne realidade no primeiro semestre de 2026.
O contexto estatutário e a abertura para a SAF
O Guarani reformou seu estatuto social, removendo barreiras legais para a constituição de uma Sociedade Anônima do Futebol. Essa reforma é um pré-requisito necessário, mas não suficiente — a transformação ainda depende de deliberação interna e, posteriormente, de aprovação em assembleia de sócios. A convocação da assembleia extraordinária do Conselho Deliberativo representa o primeiro passo formal nesse processo, com pauta específica sobre “deliberação acerca da constituição ou participação do Guarani Futebol Clube em Sociedade Anônima do Futebol, com emissão de parecer favorável ou contrário”.
Segundo Marcelo Dias, presidente do Conselho Deliberativo, a reunião tem propósito educativo e deliberativo simultâneos. “O propósito é discutir se adotar a figura da SAF é, neste momento, algo positivo ou negativo”, afirma. A intenção é apresentar aos conselheiros as vantagens e desvantagens do novo modelo, permitindo que a deliberação seja informada e refletida. Dias reconhece que há tendência favorável: “Entendo que este é um anseio da maioria dos conselheiros e sócios, e até de torcedores em geral”.
Os argumentos em favor da transformação
A percepção de que a gestão amadora enfrenta dificuldades crescentes é central na narrativa pró-SAF. Dias aponta que “é nítida a percepção de que a gestão amadora enfrenta dificuldades em um ambiente de cada vez maior concorrência e exigência”. Além disso, há um argumento regulatório: a própria Lei da SAF estabelece que, em alguns anos, os clubes associativos terão “imensa desvantagem” em relação às estruturas empresariais — seja por questões tributárias, de governança ou de acesso a capital.
O presidente Rômulo Amaro reforça essa visão, reconhecendo que estimulou a condução da reforma estatutária neste ano “para trazer a SAF ao Guarani”. Sua justificativa é pragmática: “O processo administrativo social é muito difícil conduzir. Tudo muda quando uma estrutura de empresa, com responsabilidades, orçamentos e departamentos bem definidos, começa a funcionar”. Essa fala sintetiza uma percepção comum entre dirigentes de clubes tradicionais — a de que modelos associativos, embora historicamente legítimos, enfrentam limitações operacionais e financeiras em contextos de profissionalização crescente.
O cronograma e as incertezas políticas
Amaro tem expectativa de que a SAF se torne realidade no primeiro semestre de 2026. Esse cronograma é ambicioso, considerando que a assembleia do Conselho ainda não ocorreu e que, após eventual recomendação favorável, será necessário submeter a proposta à aprovação dos sócios. Além disso, há uma variável política: as eleições do Guarani acontecem em dezembro, o que significa que a próxima gestão pode ter prioridades ou visões diferentes sobre o timing e o modelo de SAF.
Amaro, porém, sinaliza que a transformação em SAF transcende ciclos eleitorais. “Independentemente de quem conduzirá os destinos do clube pelos próximos três anos, o Conselho Deliberativo vai avaliar qual o modelo de SAF ideal. Dentro disso, vamos receber as propostas e os sócios vão tomar a decisão”. Essa abordagem sugere que a SAF é vista como uma decisão estrutural, não apenas uma prioridade de uma gestão específica.
O que está em jogo na assembleia de segunda-feira
A assembleia de segunda-feira é um ponto de inflexão. Se o Conselho recomendar favoravelmente, o próximo passo será a submissão da proposta à Assembleia Geral de Sócios, onde a decisão final será tomada. Se houver recomendação contrária ou indefinida, o processo pode ser adiado ou redirecionado. Dado o tom das falas de Dias e Amaro, a expectativa é de aprovação, mas a reunião ainda é necessária para formalizar a posição institucional.
A questão de qual modelo de SAF será adotado também permanece em aberto. Amaro menciona que o conselho avaliará “qual o modelo de SAF ideal” e que “vamos receber as propostas” — sugerindo que pode haver múltiplos investidores ou estruturas em consideração. Esse processo de seleção de modelo e investidor, típico em transformações de SAF, tende a se desenrolar nos meses seguintes, caso a recomendação seja favorável.
O significado para o futebol campineiro
O Guarani é uma instituição histórica do futebol paulista, com presença consolidada em competições estaduais e nacionais. A transformação em SAF representaria uma mudança estrutural significativa, alinhando o clube a uma tendência que já abrange dezenas de instituições no país. Para o futebol campineiro, a decisão do Guarani pode ter efeitos simbólicos e práticos — sinalizando que mesmo clubes tradicionais, com bases de torcedores engajadas, veem na SAF um caminho viável e necessário.
Fonte: Hora Campinas.



