O Esporte Clube Meia Noite, de Patrocínio Paulista, no interior de São Paulo, conquistou o certificado de clube formador concedido pela CBF. O selo permite que o clube avance na proposta de revelar jogadores nas categorias de base, uma das principais metas estabelecidas desde a transformação em SAF, em 2024.
“É muito gratificante receber este selo que reconhece a seriedade do nosso trabalho na SAF do clube. Temos um forte compromisso em formar e cuidar de jovens atletas e cidadãos, oferecendo estrutura multidisciplinar para que eles se desenvolvam”, afirmou Edson Faleiros, presidente do clube.
O reconhecimento chega depois de uma temporada que colocou o Meia Noite no mapa da base nacional. O clube disputou a Copinha pela primeira vez neste ano e chegou à segunda fase, quando foi eliminado pelo Cruzeiro, que seria o campeão da competição. Patrocínio Paulista foi sede do torneio pela primeira vez na história, no Estádio Galileu de Andrade Lopes.
O desempenho rendeu negociações com clubes grandes do Brasil, como Corinthians, Vasco e Fluminense. Um dos jogadores chegou a ser monitorado pelo PSG e foi para a França para testes, enquanto outro, naturalizado austríaco, foi convocado para a seleção sub-16 da Áustria. Para 2027, a expectativa é de que a cidade seja novamente sede da competição, com a participação do Meia Noite.
Um diretor com passagem por Atlético-MG e Betis para sustentar o projeto
A estruturação da base ganhou reforço em setembro, com a chegada do ex-zagueiro Willian Lanes de Lima, o Lima, como diretor de futebol. Aos 41 anos, ele atuou por seis temporadas no Atlético-MG e também defendeu o Betis, além de Portuguesa, Fortaleza, América-MG, Ituano, Botafogo-SP e Villa Nova-MG, antes de se aposentar em 2020. Depois disso, voltou ao Atlético para trabalhar como auxiliar técnico e treinador nas categorias de base e, posteriormente, como coordenador.

A chegada ao Meia Noite ocorreu por intermédio de Juliano Leonel, vice-presidente do clube, que geriu a carreira dele como jogador. “A ideia é profissionalizar todos os departamentos do Meia Noite, conectar tudo isso ao futebol. Nesse tempo no Atlético-MG, ficou muito claro para mim que uma coisa não anda sem a outra na formação de jovens. É projetar esse atleta na melhor possibilidade, no melhor desenvolvimento e, quem sabe daqui a uns anos, ter um projeto de um CT, uma equipe profissional”, disse.
Lima também destacou que a metodologia de formação mudou ao longo dos anos e que é preciso encontrar meios de manter o jovem engajado desde cedo. “A minha formação foi anos atrás, e foi muito diferente da formação do atleta de hoje. A gente precisa se atualizar, entender o que pede o futebol. O futebol tem um desafio muito grande. As categorias hoje começam lá na sub-8, sub-7, e levar essa criança até os seus 17, 18 anos, sendo apaixonada pelo futebol, é um desafio gigantesco.”
Sobre a Copinha, o diretor defendeu a continuidade da aposta em elencos jovens. “Vamos seguir esse projeto de ter uma equipe mais nova jogando a Copinha. A ideia é muito enriquecidora para o atleta. Pode ser que tenhamos mais dificuldade do que outras equipes, mas o ganho após a competição no ano seguinte é muito grande.” E acrescentou: “A Copinha é um cenário muito desafiador, esse ano foi a prova disso. O projeto deu muito certo, mas também a gente precisa ter muito cuidado. Entender quais atletas estão no momento preparado pra esse cenário e fazê-lo entender que toda comissão, toda direção está do lado dele para ajudar. Vamos buscar potencializar o nosso atleta ao máximo a esse desenvolvimento para a Copinha, planejando o melhor pra eles.”
O certificado de clube formador tem efeito prático para um clube desse porte. É o documento que garante à agremiação o direito de receber valores quando um atleta que formou se transfere para outra equipe — o chamado mecanismo de formação. Sem o selo, o clube investe anos na preparação do jogador e não participa do retorno financeiro quando ele é negociado. Com ele, cada transferência futura passa a gerar receita, o que sustenta a continuidade do trabalho nas categorias de base.
Fonte: ge.Globo.



