O Corinthians não pagou os direitos de imagem de setembro, referentes a agosto, ao elenco masculino de futebol e passou a acumular dois meses de atraso. Os direitos de imagem vencem no dia 20 de cada mês — e, sem dinheiro suficiente em caixa, a diretoria não conseguiu fazer o pagamento até a última segunda-feira. Além das duas parcelas em aberto, o clube também deve parte das férias e de premiações aos jogadores, e não há prazo definido para acertar as pendências.
Os direitos de imagem representam parte da remuneração dos atletas com os salários mais altos do elenco. Segundo a diretoria, cada mês dessa rubrica custa em torno de R$ 10 milhões aos cofres do clube. O cenário se soma a outros sinais de aperto: o Corinthians chegou a atrasar por uma semana o pagamento do salário registrado em carteira de setembro e quitou a pendência horas antes do jogo decisivo das quartas de final da Conmebol Libertadores.
A crise financeira por trás do atraso
O clube atravessa uma grave crise financeira em 2026. No primeiro semestre do ano, o Corinthians registrou déficit de R$ 246 milhões — 78,2% maior do que os R$ 138 milhões de prejuízo previstos no orçamento para o período de janeiro a junho. O endividamento total do clube se mantém na casa dos R$ 2,8 bilhões.
Grande parte do impacto vem da ausência de vendas de jogadores na temporada. O orçamento aprovado para 2026 previa faturar cerca de R$ 144 milhões (25 milhões de euros) em vendas de direitos federativos de atletas, sendo que metade desse valor, aproximadamente R$ 74,9 milhões, deveria ter sido realizada já no primeiro semestre. Na prática, o dinheiro esperado não entrou, e o rombo ficou mais de R$ 100 milhões acima da projeção inicial.
O reflexo dentro e fora de campo
A situação financeira também se reflete no mercado de transferências: o Corinthians está proibido de contratar desde 21 de maio, quando entrou o primeiro dos três transfer bans atualmente em vigor, com dívidas que totalizam cerca de R$ 21,5 milhões. Na prática, o clube não pode registrar novos jogadores enquanto as pendências não forem resolvidas.
O momento, portanto, concentra desafios em várias frentes: dentro de campo, a equipe precisa lidar com a pressão esportiva; fora dele, a diretoria busca espaço para reorganizar um caixa apertado, com salários, direitos de imagem, férias e premiações acumulando atrasos, transfer bans limitando o planejamento do elenco e um déficit que superou em mais de R$ 100 milhões a previsão orçamentária do semestre. A quitação das pendências com o grupo de jogadores aparece, nesse cenário, como uma das prioridades imediatas — enquanto o clube tenta encontrar caminhos para equilibrar as contas em meio à maior crise financeira da sua história recente.



