O ex-presidente do Uberaba Sport Club Publio Emilio Rocha apresentou nesta quinta-feira (17) uma proposta formal para adquirir 90% das ações da Uberaba Sport Club SAF (Sociedade Anônima do Futebol). O documento, encaminhado pela Legado Gestão Desportiva e Participações, foi entregue ao Conselho Deliberativo e à direção atual do clube. Pela proposta, os 10% restantes das ações permaneceriam vinculados ao associativo.
O investimento previsto inclui o pagamento das dívidas de curto prazo do clube decorrentes do último Campeonato Mineiro — estimadas em cerca de R$ 500 mil —, além de aportes anuais de R$ 1,5 milhão durante dez anos, o que totaliza R$ 15 milhões no período. O plano também prevê a construção de um novo centro de treinamento (CT), com valor global estimado em R$ 10 milhões em obras ao longo dos cinco primeiros anos. Com o conjunto de investimentos, o aporte pode ultrapassar R$ 25 milhões, segundo a proposta. Os recursos dos aportes recorrentes seriam destinados prioritariamente ao futebol profissional.
O que a proposta prevê
Entre os parâmetros do plano estão a quitação de dívidas do Campeonato Mineiro de 2026, até o limite de R$ 500 mil, e o tratamento de dívidas históricas até o limite de R$ 1,5 milhão. Os valores só entrariam no perímetro da operação quando devidamente discriminados, com indicação de credor, origem, natureza, valor e situação processual.
O centro de treinamento seria estruturado em etapas, destinado ao futebol profissional, às categorias de base e ao futebol feminino. O planejamento contempla diagnóstico do terreno, projetos, licenças, campo principal, vestiários, núcleo de performance, academia, fisioterapia e medicina esportiva, entre outras estruturas. A execução do CT estaria condicionada à entrada de novos recursos e ao fluxo de caixa excedente após a cobertura das necessidades essenciais do clube.
Em relação à governança, a Legado exerceria o controle correspondente aos 90% das ações, com Conselho de Administração e diretoria executiva de maioria indicada pela empresa. O associativo teria uma cadeira permanente no Conselho de Administração para acompanhar a gestão. A proposta ainda prevê a contratação de seguro-garantia, fiança, garantia bancária ou instrumento equivalente para dar segurança quanto ao compromisso de aportes — e reafirma a preservação do nome, escudo, cores, hino, história, troféus e símbolos do clube, além de manter a sede e a identidade vinculadas a Uberaba.
Um nome ligado ao título de 2003 e a reconstrução pela torcida
Publio Emilio Rocha esteve à frente do Uberaba em 2003, quando o clube conquistou o Módulo II do Campeonato Mineiro com um time que teve Palhinha, Gilson Batata e Milagres, e média de público de cerca de 17 mil pessoas por jogo. Segundo ele, o projeto tem a torcida como ponto de partida para a reconstrução do clube. “Como empresário e advogado construímos uma história de sucesso forte o suficiente para reerguer o clube mais tradicional do interior do Brasil. A proposta está na mesa para avaliação do Conselho Deliberativo, nós já fizemos pelo Uberaba Sport Club e faremos mais uma vez, se o conselho permitir”, afirmou.
A operação ainda depende de diligência jurídica, societária, financeira, contábil, tributária, trabalhista, desportiva e reputacional — a auditoria detalhada do clube —, além da validação da titularidade das ações, da análise dos passivos, da regularidade perante as entidades esportivas e da aprovação pelo Conselho Deliberativo. A apresentação da proposta não significa que a aquisição tenha sido concluída: a eventual transferência das ações dependerá da avaliação dos conselheiros, da assinatura dos documentos definitivos e do cumprimento das condições previstas. O movimento coloca o tradicional clube de Uberaba diante de uma decisão que pode redesenhar seu futuro — combinando a memória de um passado glorioso, simbolizado pelo título estadual do Módulo II de 2003, com a aposta em um novo modelo de gestão para reconstruir o projeto dentro e fora de campo.



