Escolhi Aref Al-Asmi para comandar o Monsoon no Campeonato Gaúcho de 2027 porque acredito que sua trajetória como treinador pode contribuir para o projeto que estamos construindo em Capão da Canoa. O fato de ele vir do Bahrein chamou atenção. Para mim, o que precisa ser discutido é o critério usado para escolher um profissional.
Nos últimos dias, pessoas da imprensa e empresários me perguntaram sobre sua vinda. Ao responder, chamei a atenção para o currículo: um profissional que foi jogador, trabalhou nas categorias de base, atuou como auxiliar, assumiu equipes e buscou formação por meio de cursos e diplomas. Depois de percorrer essa trajetória, apontei o que ainda faltava: oportunidade.
É uma palavra que tem muito peso no futebol. Conhecemos profissionais preparados que passam anos esperando uma porta se abrir. Ao mesmo tempo, quem ainda não circulou por determinados clubes costuma precisar explicar sua capacidade antes mesmo de ter a chance de demonstrá-la.
Vivi 15 anos como jogador profissional, sendo 12 no exterior, e atuei em nove países. Essa experiência influencia minha forma de olhar para o mercado. Trabalhar fora me mostrou que o conhecimento sobre futebol está presente em lugares que nem sempre acompanhamos de perto no Brasil. Eu também dependi de oportunidades para construir minha carreira em outros países.
Conheci Aref durante minha passagem pelo futebol do Oriente Médio. Nossa relação vem daquele período. Para esta etapa do Monsoon, pedi que ele estudasse o futebol brasileiro e, especialmente, o gaúcho. Seu conhecimento e a disposição para entender o ambiente em que vai trabalhar pesaram na escolha.
Um treinador que chega de outro país precisa se adaptar. O calendário, o perfil dos jogadores e as exigências da competição fazem parte do trabalho. Sua experiência ganha valor quando consegue ser aplicada à realidade do clube. É isso que esperamos da vinda de Aref.
O Brasil tem treinadores competentes, e muitos deles também merecem mais oportunidades. Minha decisão de buscar um profissional no Bahrein parte da avaliação do que ele pode oferecer ao Monsoon. Ser conhecido no nosso mercado é uma informação relevante, mas a escolha precisa considerar a trajetória técnica e as necessidades do elenco.
Na minha visão, repetir os mesmos nomes pode se tornar um hábito que limita a avaliação. Um treinador conhecido facilita a apresentação de uma contratação e chega com referências que o público reconhece. Isso tem valor. Ainda assim, o gestor precisa explicar como aquele profissional se encaixa no trabalho que será exigido dele.
Como ex-jogador, valorizo muito a história de quem conquistou títulos dentro de campo. Também entendo que a carreira de treinador deve ser examinada por seus próprios critérios. Ter sido um grande atleta merece reconhecimento. Para comandar uma equipe, precisamos avaliar a experiência de ensinar, organizar treinos, desenvolver jogadores e conduzir o grupo durante uma competição.
À frente do Monsoon, tenho a responsabilidade de fazer essa avaliação e responder pela decisão. O mesmo critério deve valer para um brasileiro pouco conhecido ou para um profissional de outro país: entender sua preparação e sua capacidade de contribuir para o clube. A familiaridade com um nome pode ajudar na escolha, mas não encerra a análise.
Para quem vê apenas a nacionalidade do treinador, buscar um profissional no Bahrein pode parecer uma escolha aleatória. Ela ganha sentido quando se olha para o que queremos construir. A contratação também faz parte de um movimento de internacionalização do Monsoon, com a intenção de abrir portas para o clube e para os nossos atletas.
Quero que essa aproximação nos ajude a apresentar jogadores a profissionais que ainda não acompanham o Monsoon. Um treinador com experiência em outros mercados pode conhecer pessoas capazes de avaliar nossos atletas, indicar oportunidades e iniciar conversas entre clubes. Para um jogador que busca afirmação, ter seu trabalho conhecido fora do circuito em que já atua pode ampliar suas possibilidades de carreira.
Para o Monsoon, esse contato também pode gerar relações com outros clubes e oportunidades de cooperação. Precisamos ser conhecidos por quem pode trabalhar conosco. Aref poderá ajudar nessa aproximação e, ao conviver com o nosso elenco, terá condições de apresentar uma visão concreta dos jogadores que acompanha. É assim que uma conexão pessoal pode começar a se transformar em uma oportunidade para o clube.
Essa troca acontece também na direção contrária. Aref vai conhecer de perto a energia do futebol brasileiro neste nível de competição. Vai viver a intensidade dos jogos e o peso que cada resultado tem para quem trabalha em um clube como o nosso. Ao acompanhar nossos atletas nos treinos e sob a pressão do Gauchão, poderá compreender melhor suas capacidades e o contexto em que se desenvolveram.
Esse conhecimento terá valor quando ele conversar com profissionais de outros países sobre o Monsoon e seus jogadores. Uma indicação ganha consistência quando vem de alguém que acompanhou o atleta, entendeu suas características e viu como ele responde à competição. Quero que a experiência de Aref aqui ajude a construir essa confiança entre o nosso clube e outros mercados.
Nós, clubes menores, precisamos pensar fora da caixa e assumir certos riscos para crescer. No Monsoon, isso significa olhar para mercados pouco acompanhados por aqui e avaliar profissionais que ainda não estão nas listas mais conhecidas. Se queremos ampliar nossas possibilidades, precisamos dedicar trabalho a encontrar oportunidades que combinem com a nossa realidade.
Na minha leitura, em determinados ambientes associativos, a pressão política e a necessidade de conciliar grupos podem dificultar a decisão de contratar um nome pouco conhecido e sustentar seu período de adaptação. À frente de um clube-empresa, tenho espaço para colocar essa escolha em prática e responder diretamente por ela. Essa autonomia exige que eu assuma a responsabilidade pelo trabalho e pelos resultados.
Ao trazer Aref, assumimos o risco de uma adaptação a outro país e a uma nova competição. Cabe à direção apoiar esse processo e acompanhar o que a contratação entrega ao clube. Queremos competir melhor e desenvolver os atletas, enquanto construímos relações que possam ampliar suas oportunidades. Esses objetivos precisam orientar a avaliação da decisão ao longo do trabalho.
Isso se relaciona diretamente com o elenco que queremos construir. Temos bons jogadores que ainda precisam ganhar experiência. Procuramos atletas com vontade de vencer e disposição para crescer. Para que esse perfil se transforme em uma equipe competitiva, precisamos de trabalho diário e do comprometimento de todos os envolvidos, incluindo quem ainda vai chegar.
A experiência de Aref nas categorias de base é relevante nesse contexto. Trabalhar com formação exige ensinar e acompanhar a evolução dos atletas. Vejo valor nessa trajetória para um grupo que terá jogadores buscando afirmação. A comissão técnica terá o desafio de transformar potencial individual em rendimento coletivo.
A comunicação também precisa ser organizada. Teremos profissionais que falam português na comissão para apoiar a transmissão das orientações. A adaptação de Aref será parte do trabalho do clube. No Gauchão, nosso objetivo é assegurar a permanência na elite e buscar evolução competitiva.
A preparação começa em novembro. Até o início do campeonato, teremos trabalho para integrar treinador, comissão e elenco. A oportunidade oferecida a Aref vem acompanhada das exigências de comandar uma equipe na primeira divisão gaúcha. A direção também precisa assumir sua parte e dar condições para que o trabalho aconteça.
O Monsoon está oferecendo a Aref a chance de ser avaliado pelo trabalho que fará aqui. É esse trabalho, nos treinos e nos jogos, que deverá sustentar a nossa escolha.
Vitor Hugo Manique de Jesus
Presidente, proprietário e CEO do Monsoon FC.
Empresário, ex-jogador profissional, com cerca de 15 anos de carreira como atleta e experiência em diferentes mercados internacionais, construiu posteriormente sua trajetória na gestão e nos negócios do futebol. Fundador da plataforma YouPro, atua no desenvolvimento de um clube-empresa, formação e valorização de atletas, infraestrutura esportiva, geração de receitas, investimentos e novos modelos de gestão para o futebol brasileiro.
Na Sou SAF, compartilha uma visão prática sobre os desafios de administrar um clube no Brasil, formação e negociação de atletas, sustentabilidade financeira, captação de investimentos, profissionalização da gestão e transformação do futebol em um negócio capaz de gerar valor esportivo, econômico e social.



