O Ministério Público de São Paulo denunciou Osmar Stabile, presidente do Corinthians, pelo crime de apropriação indébita. Segundo a acusação, protocolada na última sexta-feira (11), o dirigente usou dinheiro do clube para pagar a Bear Security, empresa que fazia a segurança particular dele e de familiares. Para quem não está familiarizado com o termo, a apropriação indébita é o crime cometido por quem tem a posse legítima de valores de outra pessoa ou entidade e passa a usá-los como se fossem seus. No caso, a promotoria acusa Stabile de usar o caixa do Corinthians para cobrir uma despesa pessoal.
De acordo com o promotor Cassio Roberto Conserino, que assina a acusação, o Corinthians pagou cerca de R$ 721 mil à Bear entre julho de 2025 e agosto de 2026. As parcelas começaram em R$ 33 mil e subiram para R$ 65 mil mensais em 2026. Há um detalhe que chama a atenção na cronologia: o contrato entre clube e empresa só foi assinado em 9 de março de 2026, com efeito retroativo a 1º de janeiro, prevendo seis postos de segurança — mas os pagamentos já eram feitos desde julho de 2025, meses antes da formalização do acordo.
O histórico que sustenta a denúncia
O caso veio a público em 2 de junho, quando o Sport Insider revelou a situação. A reportagem mostrou que a Bear Security foi fundada em janeiro de 2025, não tem autorização da Polícia Federal para atuar com segurança privada e tinha o dirigente como único cliente. O promotor cita a matéria na denúncia e a classifica como “não refutada” — ou seja, não contestada.
Em resposta ao MP-SP, o Corinthians afirma que o gasto tem base no artigo 119 do estatuto do clube, que inclui entre as despesas os serviços “internos e eventuais de qualquer natureza”. A defesa de Stabile segue a mesma linha e diz que houve contratações parecidas em gestões anteriores.
O que o Ministério Público pede
A promotoria quer que Stabile devolva os R$ 721 mil, com correção, e pague R$ 540 mil adicionais pelo prejuízo à imagem do clube. Também pede o bloqueio de bens do dirigente nesse valor, para garantir o pagamento em caso de condenação.
Além disso, o MP-SP solicita medidas cautelares — restrições impostas pela Justiça durante o processo. Entre elas estão a proibição de entrar nas dependências do clube, de falar com testemunhas e dirigentes, de representar o Corinthians e de deixar o país sem autorização. Na prática, o pedido afasta Stabile da presidência. O promotor ainda solicitou que a Receita Federal verifique se os valores foram declarados como rendimento por Stabile e pediu à Polícia Federal um inquérito sobre o funcionamento da Bear sem autorização.
A resposta da defesa
Na tarde desta terça-feira (15), os advogados do presidente corintiano enviaram uma nota à imprensa, na qual o dirigente manifesta “estranheza” com a denúncia. “A segurança não foi contratada para Osmar como pessoa, mas em razão do cargo. As ameaças, de conhecimento público, decorreram de sua atuação como presidente, atingiram sua família e motivaram manifestações de repúdio. […] O Ministério Público conhecia esses fatos, assim como sabia que a adoção de segurança para dirigentes ocorre em outros grandes clubes e já foi utilizada em gestões anteriores do Corinthians”, diz a defesa.
O caso coloca em xeque a gestão do clube em um momento sensível: de um lado, a acusação aponta o uso de recursos do Corinthians para custear uma empresa irregular, sem autorização para atuar e com o dirigente como único cliente; de outro, a defesa sustenta que a segurança foi uma medida ligada ao cargo, diante de ameaças públicas. Agora, caberá à Justiça decidir sobre as medidas cautelares e o eventual afastamento do presidente — enquanto o clube acompanha de perto um desdobramento que pode mudar os rumos da sua administração.
Fonte: Sport Insider.



