O Conselho Deliberativo do Flamengo vota nesta terça-feira (15), em reunião extraordinária no formato híbrido, a proposta de reforma estatutária batizada de “Profissionalismo”. Apresentada pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, a emenda pretende institucionalizar a gestão profissional do clube — sem transformá-lo em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O texto, que se aprovado se incorpora ao Estatuto Social, foi convocado por edital publicado no portal da transparência do clube, e Bap também gravou um vídeo direcionado aos conselheiros para defender a mudança.
A proposta nasce de uma promessa de campanha da gestão Bap/Willeman, que elegeu a modernização do estatuto, a gestão profissional e a governança como pilares. Na prática, o Flamengo busca dar proteção estatutária a um modelo de administração que, segundo o presidente, é praticado desde 2013 — mas que hoje depende da boa vontade de cada gestão, sem garantia de perenidade.
Assista ao vídeo em que o Presidente do Flamengo, Bap, apresentou proposta de cargos executivos aos conselheiros do clube. Clique aqui.
O que muda na prática
A emenda extingue as vice-presidências temáticas, aquelas pastas ocupadas por dirigentes amadores que comandavam áreas como futebol, finanças e marketing. No lugar delas, o estatuto passa a prever duas estruturas: o Conselho Gestor e a Diretoria Profissional.
O Conselho Gestor será o órgão colegiado responsável pela direção estratégica e pela supervisão do clube, composto pelo presidente eleito, pelo vice-presidente, pelo procurador-geral e por mais 9 a 12 membros de livre nomeação do presidente, com mandato de três anos. Já a Diretoria Profissional é o órgão executivo remunerado que cuidará da gestão operacional e do dia a dia do Flamengo, dirigido pelo Diretor-Geral e pelo Diretor de Futebol. Todos os departamentos — do futebol ao jurídico, passando por marketing, finanças, tecnologia e compliance — passam a ser comandados por profissionais contratados, com dedicação integral e exclusiva, selecionados por processo de avaliação com apoio de empresa especializada em recrutamento. A remuneração será compatível com o valor de mercado, e fica vedada a contratação de associados que tenham ocupado cargo eletivo no clube no ano anterior.
A proposta também cria mecanismos de controle: o Diretor-Geral só poderá ser contratado e demitido pelo Conselho Gestor, cabendo ao presidente apenas o poder de veto; o Diretor de Futebol segue sob alçada do presidente, mas com prestação de contas formal ao Conselho Gestor. Passam a existir, pela primeira vez, alçadas de aprovação previstas no estatuto, uma política de governança formal e a exigência de publicação de partes relacionadas no portal de transparência. A interferência de qualquer dirigente “amador” nas atividades da Diretoria Profissional vira fato grave, passível de punição, e os membros da diretoria ficam proibidos de participar de atividades político-partidárias.

Para Bap, a reforma reduz poderes que o estatuto atual concede ao presidente — que ele classifica como “imperiais”. Hoje, segundo o dirigente, o presidente pode contratar, demitir e nomear qualquer executivo sem dar explicações; com a emenda, o poder de propor sai das mãos do presidente e dos vice-presidentes amadores e passa aos diretores profissionais, sob fiscalização dos conselhos. Uma segunda etapa, a Emenda da Governança, deve aprofundar depois os mecanismos de equilíbrio entre os poderes.
Acesse o EDITAL 15.09.2026 PROPOSTA EMENDA PROFISSIONALISMO na íntegra e que encontra-se disponível no portal da transparência no site oficial do Flamengo.
Profissionalização sem SAF: o caminho escolhido
O ponto central do debate é a escolha do Flamengo por profissionalizar a gestão mantendo o formato associativo. Bap é enfático ao rejeitar o caminho da SAF: “Nunca seremos SAF”, afirmou. Na visão do presidente, o modelo de sociedade anônima concentra o controle do clube nas mãos de um único dono ou grupo empresarial, sem prestação de contas, sem alternância de poder e com dificuldade de destituição pelos conselheiros — problemas de governança que, segundo ele, já aparecem em alguns concorrentes.
A aposta rubro-negra é combinar as melhores práticas de gestão profissional com o que o associativo tem de mais valioso: a pluralidade de ideias dos conselhos, a fiscalização ampla e descentralizada e a alternância de poder. O movimento coloca o Flamengo em um caminho distinto do adotado por boa parte do futebol brasileiro, que nos últimos anos viu dezenas de clubes migrarem para o modelo SAF em busca de aportes e profissionalização — enquanto o clube de maior torcida do país tenta alcançar o mesmo objetivo de modernização dentro da estrutura associativa, com a votação desta terça-feira como primeiro passo concreto.
Fonte: Site oficial do Flamengo; ge.Globo; Uol.



