A Portuguesa Santista realizou o primeiro Briosa Day na sexta-feira (4), no Sheraton Santos Hotel. O evento institucional reuniu presidente, dirigentes e o técnico Sérgio Guedes para apresentar os planejamentos do clube rubro-verde para o futuro, tanto próximo quanto distante. Um dos clubes mais tradicionais do litoral de São Paulo, a Briosa já começa a traçar os planos para 2027, depois de conquistar o acesso à Série A2 do Campeonato Paulista nesta temporada.
Entre os pontos destacados pelo presidente Frederico Garcia Barreiros esteve a possibilidade de transformação do clube em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O debate não é novidade: no ano passado, o conselho da Briosa rejeitou uma proposta de compra, mas segue estudando um modelo. “A proposta anterior girava em torno dos cinco milhões. Ela foi rejeitada justamente porque não atendia ao valor da Portuguesa, e sim à dívida que tínhamos. Hoje temos um valuation do clube em cerca de vinte milhões de reais”, afirmou o presidente. “Naquele momento, o grupo que iria comprar tinha tudo para dar certo, mas eu não podia aceitar a venda do clube sem saber exatamente o que ele vale”, completou.
SAF coparticipativa: clube manteria o controle
O modelo estudado pela diretoria é o de uma SAF coparticipativa, em que o clube venderia cerca de 45% das ações e se manteria como sócio majoritário. Barreiros destaca que enxerga a possibilidade de negócios desse tipo para além de apenas desafogar as finanças. “Nós vemos aí a quantidade de SAFs que entram para tirar o time da dívida, tudo bem, é um modelo. Mas não é o que eu acredito ser o melhor. A Portuguesa não deve nada a ninguém hoje; temos tudo acordado. Ou seja, podemos montar um modelo em que desafogar o clube não é o foco principal”, ressaltou. Embora o projeto ainda não deva sair do papel, a SAF permanece como segundo plano no planejamento do clube. A ideia é buscar um parceiro disposto a investir e adquirir uma participação na Briosa, mas sem que o clube entregue todo o controle da operação.

A diretoria também trabalha na organização das finanças e na busca por novos patrocinadores. Durante o Briosa Day, os dirigentes apresentaram os números obtidos pelo clube ao longo da campanha na Série A3, disputada no primeiro semestre deste ano, e compararam os dados com os de clubes como Mirassol e Novorizontino, que cresceram a partir de estruturas de cidades de porte semelhante.
Modernização do Ulrico Mursa e o objetivo de 2027
Ainda no Briosa Day, o presidente cogitou uma mudança na fachada do Estádio Ulrico Mursa, o que dependerá da busca de investimentos. Além da fachada, há um projeto de uma nova arquibancada modular no setor atrás do gol do portão principal. “Nós preferimos exaltar as coisas boas da Portuguesa, como o acolhimento, o carinho que temos com a torcida. E queremos refletir isso no estádio. Hoje, a fachada do Ulrico precisa de um ‘tapa'”, comentou Barreiros, que mencionou um projeto ainda embrionário de exploração de áreas do estádio, concessão e modernização, inclusive com a venda de naming rights. “Acho importante, ousado e é algo que pode nos ajudar”, completou.
O diretor de marketing Rafael Lima destacou o potencial da marca rubro-verde: “É a marca com a menor rejeição da Baixada. As pessoas têm carinho, mesmo que não estejam presentes na realidade da Briosa. O público da Portuguesa é muito jovem, ou seja, tem muito mais tempo para se manter fiel à marca. Normalmente, quem vai ao estádio começa quando criança, continua quando é jovem e depois repete o ciclo levando os filhos e netos”, ressaltou, lembrando ainda a relação entre o desempenho em campo e o apelo comercial: “O campo ajuda. Quando a gente ganha, o estádio enche; quando o estádio enche, mais pessoas veem as marcas.”

Enquanto trabalha para organizar a estrutura interna e planejar as melhorias no Ulrico Mursa, a Portuguesa Santista já definiu uma das principais metas esportivas para 2027: conquistar o acesso à Série A1 do Campeonato Paulista. Comandada pelo técnico Sérgio Guedes, a Briosa disputará a Série A2 e buscará uma vaga entre os principais clubes do futebol paulista, dando sequência a um projeto que combina reorganização financeira, busca por investimentos e ambições esportivas para recuperar espaço no cenário estadual e nacional.
Fonte: Jornal da Orla; Diário do Litoral; A Tribuna.



