A Administração Judicial, o Watchdog e o Gatekeeper do Vasco se manifestaram favoravelmente à contratação do novo empréstimo DIP — de até R$ 150 milhões — e ao prosseguimento do processo competitivo para a venda de 90% da nova SAF. A manifestação conjunta foi apresentada nesta sexta-feira, no processo de recuperação judicial, e agora será submetida à análise do Ministério Público e da Justiça. Os três auxiliares do juízo foram chamados a se manifestar após decisões da 4ª Vara Empresarial que levantaram questionamentos sobre o novo financiamento e sobre a estrutura do processo de alienação da SAF. O documento reúne as conclusões da análise financeira, jurídica e negocial realizada sobre as duas operações.
Na avaliação dos auxiliares, os elementos analisados demonstram uma necessidade concreta de recomposição da liquidez do Vasco — o chamado fluxo de caixa para a operação do clube. Entre as propostas apresentadas para o novo DIP, a da Almirante Participações, de Marcos Lamacchia, foi considerada a mais adequada. A ressalva é que a linha de crédito de até R$ 150 milhões não deve ser utilizada automaticamente em sua totalidade: os desembolsos deverão corresponder às necessidades efetivas de caixa e permanecer sob acompanhamento e fiscalização. A Justiça havia pedido o parecer em conjunto dos três auxiliares até a quarta-feira, dia 2 de setembro. Houve, porém, pedido de aumento do prazo, e a publicação dos pareceres ocorreu nesta sexta.
O avanço na Justiça acontece na semana em que a 777 Partners, ex-dona da SAF, chegou a um acordo com o Vasco — os americanos não se opõem mais à venda da nova SAF.
Oito credores pedem suspensão do processo de venda
Em paralelo, sete ex-jogadores e um ex-preparador físico do Vasco, que são credores do clube na recuperação judicial, pediram nesta sexta-feira à Justiça que suspenda o processo de venda da SAF. No momento, a diretoria vascaína negocia a transferência do comando da empresa para o empresário Marcos Lamacchia. O pedido é feito pelo ex-preparador físico Flávio de Oliveira e pelos seguintes jogadores que passaram pelo Vasco: William Barbio, atacante que jogou em 2012, 2014 e 2016; Douglas Silva, zagueiro que jogou em 2014 e 2015; Lucas Siqueira, volante que jogou em 2015; Lucas Kal, volante que jogou em 2018; Willian Maranhão, volante que jogou em 2018; Luiz Gustavo, zagueiro que jogou em 2018 e 2019; e o ex-zagueiro Breno, que jogou de 2017 a 2020. Os credores são representados pelo advogado Thiago Rino.

A tese defendida é de que a venda, no molde definido, descumpre o plano de recuperação judicial do Vasco, porque a negociação atual prevê destinação de recursos para o departamento de futebol, enquanto o plano exige que os recursos sejam direcionados ao pagamento das dívidas listadas na recuperação judicial. Nesse sentido, a defesa dos atletas argumenta que a venda da SAF só poderia ocorrer a partir da aprovação em nova assembleia de credores.
O pedido feito pelos credores à 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro é de suspensão do leilão por 30 dias, até a deliberação da assembleia, além da suspensão, até decisão definitiva, da constituição da nova SAF do Vasco. Os credores ainda solicitam que o Ministério Público e o Administrador Judicial se manifestem em 48 horas a partir da notificação.
Fonte: ge.Globo 1; ge.Globo 2.



