A crise na Ponte Preta ganhou um novo e grave capítulo nesta quarta-feira. Sem receber salários, os jogadores do elenco profissional decidiram entrar em greve e se recusaram a treinar, aumentando a pressão sobre a diretoria em um dos momentos mais delicados da temporada.
A decisão foi comunicada pessoalmente a Marco Antônio Eberlin, vice-presidente e diretor de futebol, durante a manhã, no CT do Jardim Eulina. Os jogadores aguardavam o cumprimento de uma nova promessa de pagamento, mas, diante da falta de solução, decidiram paralisar as atividades.
A medida pode ter impacto direto no próximo compromisso da Macaca pela Série B. A Ponte Preta enfrenta o América-MG neste domingo, em Belo Horizonte, e corre o risco de não contar com parte importante do elenco profissional. Com a equipe na lanterna da competição, a saída pode ser recorrer aos jogadores das categorias de base para completar a lista de relacionados.
Os atrasos salariais variam entre os atletas, mas chegam a aproximadamente seis meses. Entre jogadores que permanecem no clube desde 2025, existem casos ainda mais graves, com profissionais que estão há mais de 12 meses sem receber.
SAF segue sem definição
A greve acontece em meio a uma crise que vai muito além dos salários atrasados. O futuro do futebol da Ponte Preta também continua indefinido após a Assembleia Geral Extraordinária que discutiria a transformação do departamento de futebol em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) terminar sem votação.
A reunião, realizada no Salão Nobre do Moisés Lucarelli, foi interrompida por questões judiciais. Duas liminares interferiram diretamente na condução da assembleia. Uma delas determinou esclarecimentos sobre o alcance da transformação do Departamento de Futebol em SAF. A outra estabeleceu o acompanhamento da reunião por um oficial de Justiça.
Com isso, a votação acabou adiada e a possível implantação da SAF na Ponte Preta permanece sem definição.
O encontro também foi marcado por forte tensão entre os grupos políticos do clube. A oposição cobrou mais esclarecimentos, pediu a gravação da assembleia e defendeu uma votação nominal. Durante os protestos, torcedores chegaram a entoar gritos de “Renúncia” e “Fora Eberlin”.
Uma crise que chegou ao campo
O que acontece nos bastidores agora ameaça diretamente o desempenho da Ponte Preta dentro de campo.
A Ponte Preta está na lanterna da Série B, enfrenta dificuldades financeiras, tem salários atrasados, viu seus jogadores cruzarem os braços e ainda não conseguiu avançar na definição sobre a SAF.
A paralisação do elenco transforma uma crise administrativa em um problema esportivo imediato. Sem treinamento e com o jogo contra o América-MG se aproximando, a Ponte pode precisar lançar mão dos garotos da base em uma partida decisiva.
Enquanto a diretoria tenta encontrar uma saída para os problemas financeiros e políticos, o futuro da SAF permanece em aberto. E a greve dos jogadores deixa claro que a situação chegou a um ponto limite.
Na Ponte Preta, a crise deixou de estar apenas nos bastidores. Ela já está afetando diretamente o futebol — justamente quando o clube mais precisa reagir para escapar da lanterna da Série B.
Fagner Ramos
Jornalista com experiência em rádio, jornal e revista e assessoria de imprensa. Ao longo da carreira, atuou na Rádio Central de Campinas, Rádio Brasil, afiliada à Jovem Pan e na CBN Campinas, desenvolvendo trabalhos na produção de conteúdo, apuração, redação e cobertura jornalística. Também possui atuação como produtor de programas esportivos, além de comunicação e gestão de conteúdo digital, unindo prática de redação jornalística com estratégia de posicionamento e relacionamento com a imprensa.



