O Cascavel repudiou o pedido do Grêmio à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) para pagar quase R$ 16 milhões em dívidas com outros clubes, incluindo o débito relativo ao atacante Bitello com o clube paranaense. Revelado pelo Cascavel, o jogador foi vendido ao futebol russo em 2023 por cerca de 10 milhões de euros — cerca de R$ 52 milhões na cotação da época. O Cascavel tem direito a R$ 15 milhões e recebeu cerca de R$ 10,6 milhões até o momento, após recorrer à CNRD.
Em entrevista ao ge, o presidente do Cascavel, Valdinei Silva, desabafou e fez cobranças à CBF. “O Grêmio está usando o subterfúgio de ganhar tempo no processo. Ele recebeu e usou um recurso nosso, uma apropriação indébita. A primeira parcela pagou sob judice na CNRD, senão, não teria pago até hoje. Se apropriou novamente da segunda parcela e usou para acertar com os jogadores da época, como o Suárez”, afirmou. “A gente impetrava uma ação, eles pediam para apresentar contrato, discordavam de valores. Quando foi intimado a fazer o pagamento, praticamente apresentou uma recuperação judicial. Juntou algumas dívidas que tem com Cascavel, com o Cuiabá e outros clubes e quer pagar em 60 vezes. Se a CBF acatar um negócio desse é como se estivesse apoiando a imoralidade, a malandragem e prejudicando os clubes como o Cascavel”, completou.
O plano de pagamento e o impacto no clube formador
A CNRD deferiu o pedido gremista de suspender eventuais punições pelos próximos 90 dias. O plano é de pagamento mensal em 60 meses. A dívida com o Cascavel protocolada no órgão totaliza R$ 6.842.122,97, apesar de a diretoria aurinegra alegar mais de R$ 8 milhões em débitos. Valdinei citou o compromisso do Cascavel com as categorias de base, mantendo projetos em diversas categorias, e condenou as movimentações do Grêmio em busca de reforços no mercado da bola. “Somos um dos poucos clubes formadores do interior do Paraná, temos CT exclusivo da base, isso custa dinheiro. ‘Ai porque o Grêmio, coitadinho, não pode nos pagar’. Opa, alto lá. Até a semana passada, estava fazendo proposta para o Memphis Depay de R$ 2,5 milhões por mês”, disse.
O Cascavel opera como associação e conta com apoio de empresários da região. O presidente da Serpente expressou o sentimento pela proposta do clube gaúcho e explicou o impacto no orçamento. “Primeira coisa é a frustração. O Cascavel capta e forma jogadores. Um fato desse desmotiva a gente. Nós somos em 158 empresários que, de forma graciosa e por amor ao futebol, estão envolvidos no projeto do Cascavel. Daqui a pouco começa a perder um, dois, três. Daqui a pouco morre o projeto do Cascavel pela falta de proteção das leis brasileiras. Quem alimenta os grandes clubes sempre foi o interior. Dificilmente um jogador começa no grande clube. Impacta diretamente no nosso orçamento, que é de R$ 8 milhões por ano”, desabafou. Em contato com o ge, o Grêmio disse que “não se manifesta publicamente sobre assuntos da alçada da CNRD” e reforçou que o processo ainda está em andamento.
Fonte: ge.Globo.



