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Fifa pune Argentina com público restrito por racismo e suspende Paredes por 10 jogos

A seleção argentina terá que jogar pelo menos uma partida com público reduzido por comportamento discriminatório de alguns torcedores nos jogos de mata-mata da Copa do Mundo. O Comitê Disciplinar da Fifa anunciou nesta sexta-feira (21) as punições por incidentes ocorridos no Mundial, incluindo a briga generalizada na final contra a Espanha, que gerou suspensões para os argentinos Paredes, Molina e Almada e para o espanhol Gavi.

O volante Leandro Paredes foi o mais punido: dez jogos de suspensão e multa de US$ 90 mil (cerca de R$ 465 mil). O lateral Nahuel Molina recebeu gancho de sete jogos, também com multa de US$ 90 mil. O meia Thiago Almada foi suspenso por uma partida, e o espanhol Gavi, envolvido no entrevero com Paredes, levou um jogo de suspensão. Roberto Ayala, da comissão técnica argentina, foi suspenso por três jogos. Cada atleta recebeu uma multa que varia de US$ 30 mil a US$ 90 mil, e as punições devem ser cumpridas nos próximos compromissos internacionais de cada seleção.

 

As sanções à federação argentina

As punições aplicadas à Associação de Futebol Argentino (AFA) levaram em conta o comportamento dos torcedores, mas também episódios como a confusão na final e a exibição de uma bandeira com citação às Malvinas no duelo contra a Inglaterra. As violações apontadas foram: usar evento esportivo para demonstrações de natureza não esportiva; má conduta da equipe; discriminação e abuso racista, por cantos e gestos dos torcedores; e atuar contra a ordem e a segurança dos jogos. De acordo com a Fifa, os cânticos e insultos racistas, homofóbicos e discriminatórios foram proferidos por torcedores argentinos durante as partidas contra Cabo Verde, Egito, Suíça, Inglaterra e Espanha. A federação também foi multada por arremesso de objetos ao campo nos jogos contra Suíça e Inglaterra, pelo atraso no início de uma partida e por violações do protocolo de segurança.

A AFA recebeu uma multa total de US$ 321 mil (cerca de R$ 1,65 milhão), dos quais US$ 100 mil ficam em suspenso por um ano, sendo aplicados apenas em caso de reincidência. Ou seja, em um primeiro momento, a federação pagará US$ 221 mil, sendo que US$ 100 mil terão que ser investidos em um plano de combate à discriminação. A punição mais pesada à seleção vice-campeã mundial será a restrição de público: a Argentina terá que atuar por dois jogos em casa com apenas 50% do estádio aberto ao público — com as arquibancadas atrás dos gols fechadas —, sendo que o segundo jogo também está em suspenso, aplicado apenas em caso de reincidência durante um ano. Como a Argentina é uma das sedes da Copa do Mundo de 2030, pode não disputar as eliminatórias para o próximo mundial e, por isso, pode não ter jogos por competição oficial em casa nos próximos quatro anos. Caso isso ocorra, a seleção cumprirá a punição em jogos amistosos.

A federação argentina se manifestou em comunicado oficial e disse que solicitará os fundamentos das decisões passíveis de revisão para apresentar recursos junto à Fifa, reservando-se a possibilidade de recorrer à Corte Arbitral do Esporte (CAS) como último recurso.

 

A AFA recebeu o detalhamento das punições e publicou na íntegra em seu comunicado oficial. Veja abaixo:

  • Pela exibição da bandeira das Ilhas Malvinas (uso de um evento esportivo para realizar demonstrações não esportivas), será aplicada uma multa de US$ 10.000 e, por conduta inadequada dos espectadores, a quantia de US$ 20.000.
  • Devido aos cânticos e insultos racistas, homofóbicos e discriminatórios proferidos por torcedores argentinos durante as partidas contra Cabo Verde, Egito, Suíça, Inglaterra e Espanha (infração do Artigo 15 do Código Disciplinar da FIFA), foram determinadas as seguintes sanções: b.1) multa de US$ 100.000,00 e valor similar, suspenso por um período de 6 meses; b.2) fechamento parcial de 50% (cinquenta por cento) das arquibancadas (principalmente as localizadas atrás dos gols) na próxima partida oficial da nossa seleção masculina principal em casa; b.3) sanção similar à do parágrafo anterior, que será suspensa por um período de um ano, desde que nenhuma infração da mesma natureza e gravidade seja cometida; b.4) a AFA deverá, nos próximos 6 meses, investir o valor da multa na implementação e/ou desenvolvimento de um plano abrangente (que deverá ser aprovado pela FIFA) para garantir ações contra a discriminação e prevenir a repetição de incidentes; e b.5) como alternativa ao fechamento de 50% dos assentos disponíveis, esta Associação Nacional, com a aprovação da FIFA, poderá ocupar 50% dos assentos reservados (ou seja, 25% da capacidade do estádio) com grupos comunitários e/ou de interesse específico (como famílias, estudantes e organizações antidiscriminação). O plano de assentos proposto deve incluir medidas antidiscriminação (por exemplo, espectadores vestindo camisetas antidiscriminação e/ou exibindo faixas antidiscriminação).
  • Pelo arremesso de objetos ao campo por torcedores argentinos durante as partidas contra Suíça e Inglaterra, pelo atraso no início do jogo e pelas violações do protocolo de segurança da FIFA, foi determinada uma multa de US$ 91.000.
  • Em virtude dos incidentes ocorridos após a partida final do torneio, foram suspensos: a) o diretor técnico adjunto Roberto Fabián Ayala por 3 jogos, além de uma multa de US$ 30.000; e b) os jogadores Thiago Almada por 1 jogo (multa de US$ 30.000), Nahuel Molina por 7 jogos (multa de US$ 90.000) e Leandro Paredes por 10 jogos (multa de US$ 90.000).

 

Fonte: ge.Globo; ESPN; Band.

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