A reunião entre Roberto Graziano e o Conselho Deliberativo do Guarani, realizada nesta quinta-feira, colocou frente a frente o empresário e os conselheiros para discutir os principais pontos que ainda geravam dúvidas sobre a proposta de Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
O encontro não teve como objetivo votar o projeto. A reunião serviu principalmente para que Graziano respondesse aos questionamentos apresentados pelos conselheiros e explicasse detalhes da operação antes da votação prevista para o início de setembro.
Um dos primeiros temas discutidos foi o prazo da SAF. Diante das diferentes interpretações sobre a duração da operação, Graziano afirmou que a intenção é construir um projeto de longo prazo com o Guarani.
Para o empresário, o período da operação precisa estar relacionado aos investimentos e à capacidade de execução dos compromissos assumidos no contrato. A preocupação, segundo ele, é evitar que sejam colocadas no papel obrigações que posteriormente não possam ser cumpridas.
Outro ponto de destaque foi o tamanho financeiro da proposta. O projeto inicialmente apresentado ao Conselho era tratado na faixa de R$ 750 milhões, mas a versão mais recente passou a considerar compromissos que podem chegar a aproximadamente R$ 1,075 bilhão.
Durante a reunião, Graziano explicou que esse valor não significa que mais de R$ 1 bilhão será depositado imediatamente no Guarani. O montante reúne investimentos no futebol, pagamento de dívidas, obrigações e outros projetos previstos na estrutura da operação.
A explicação foi importante porque parte dos questionamentos dos conselheiros estava justamente relacionada à forma como esse valor será executado ao longo do projeto.
As dívidas do clube também estiveram no centro das discussões. Graziano defendeu que a SAF precisa atacar os problemas financeiros do Guarani, mas sem deixar de garantir recursos para o futebol.
A ideia apresentada é buscar um equilíbrio entre a reorganização financeira e a formação de uma estrutura capaz de manter o clube competitivo.
Outro ponto levado à mesa foi a cláusula que previa uma penalidade equivalente a 10% do valor da operação caso a proposta não fosse aprovada.
A cláusula havia gerado preocupação entre os conselheiros por causa da interpretação de que o Guarani poderia assumir uma obrigação mesmo sem a conclusão definitiva do negócio. Graziano afirmou que, se existe uma redação capaz de gerar dúvida, ela precisa ser esclarecida ou modificada.
Brinco de Ouro da Princesa
A reunião também tratou das obrigações relacionadas à aquisição do Brinco de Ouro, realizada por Graziano em 2015.
O empresário explicou que os compromissos assumidos anteriormente continuam existindo e que a estrutura da SAF foi pensada justamente para buscar uma solução mais ampla para essas questões.
Nesse sentido, a proposta não trata apenas do futebol, mas também envolve aspectos financeiros, patrimoniais e obrigações que já fazem parte da relação entre Graziano e o Guarani.
Um dos sinais mais claros deixados pelo encontro foi de que a proposta ainda está em construção.
Graziano afirmou que está disposto a discutir alterações sugeridas pelo Conselho e reforçou que não foi à reunião para pressionar pela aprovação. A intenção, segundo ele, era responder aos questionamentos e permitir que os conselheiros tenham segurança para analisar o projeto.
Esse ponto ganha importância diante da proximidade da votação. Antes de setembro, os termos ainda poderão ser ajustados, especialmente nos pontos que provocaram dúvidas durante a reunião.
Negociações na mesa
Ao final, ficou claro que a conversa desta quinta-feira foi mais uma etapa da negociação. Não houve definição sobre a aprovação da SAF, mas houve avanço no esclarecimento de questões que estavam pendentes.
Agora, o próximo passo será consolidar os ajustes discutidos e apresentar uma versão mais detalhada da proposta para apreciação antes da votação.
A decisão, portanto, ainda está por vir. O encontro de ontem serviu para colocar os principais questionamentos na mesa e permitir que empresário e Conselho avancem na construção dos termos que poderão definir o futuro da SAF do Guarani.
Fagner Ramos
Jornalista com experiência em rádio, jornal e revista e assessoria de imprensa. Ao longo da carreira, atuou na Rádio Central de Campinas, Rádio Brasil, afiliada à Jovem Pan e na CBN Campinas, desenvolvendo trabalhos na produção de conteúdo, apuração, redação e cobertura jornalística. Também possui atuação como produtor de programas esportivos, além de comunicação e gestão de conteúdo digital, unindo prática de redação jornalística com estratégia de posicionamento e relacionamento com a imprensa.



