Uma invasão brasileira está acontecendo no Campeonato Mexicano Feminino. A temporada 2026/27, que começou há duas semanas, conta com oito jogadoras do Brasil, um movimento que começou há dois anos, com a saída da atacante Priscila do Internacional para o América do México, e ganhou força em 2026, com seis transferências. A última delas foi a contratação da atacante Eudimilla pelo Pachuca, na maior venda da história do time feminino do Santos, em um valor estimado de US$ 350 mil (R$ 2 milhões).
As brasileiras presentes na Liga Mexicana Feminina 2026/27 são: Eudimilla (atacante do Pachuca), Isa Haas (zagueira do América), Geyse (atacante do América), Mariza (zagueira do Tigres), Daiane (zagueira do Monterrey), Aline Gomes (meia-atacante do Pachuca), Jheniffer (atacante do Tigres) e Priscila (atacante do América). O mexicano Guillermo Zamarripa, dono da agência TMJ, foi o responsável pela maioria dessas transferências, feitas em conjunto com empresas brasileiras, como a Transfer Soccer Group e a Art Sports Management. Em entrevista ao ge, por chamada de vídeo, Zamarripa celebrou a valorização das jogadoras brasileiras pela liga feminina. “O talento brasileiro está muito bem valorizado, e as jogadoras brasileiras aparecem nas listas de scouts e de recrutamento da maioria dos clubes mexicanos. Creio que existe uma combinação de fatores que faz a liga bastante atrativa para as jogadoras internacionais em geral, e nesse contexto entra a jogadora brasileira”, explicou o agente.
Por que a liga mexicana se tornou tão atrativa para as brasileiras?
Zamarripa destacou a profissionalização crescente da liga mexicana, que tem se tornado cada vez mais atrativa para estrelas internacionais. Todos os 18 clubes da primeira divisão contam com estrangeiras. Na atual temporada, as torcidas verão em campo jogadoras como as espanholas Jenni Hermoso (Tigres) e Rocío Galvez (Juarez), campeãs da Copa de 2023, a sueca Sofia Jakobsson (Toluca), a australiana Emily Gielnik (Pumas), a nigeriana Chinwendu Ihezuo (Pachuca) e as colombianas Daniela Arias (Leon) e Manuela Pavi (Toluca). “Agora são permitidas sete estrangeiras por equipe, e isso amplia o universo de oportunidades para jogadoras internacionais”, contou o empresário.
Para o agente, a jogadora brasileira se encaixa perfeitamente no que os clubes mexicanos buscam. “No México, a jogadora realmente se sente profissional, pelas boas instalações dos clubes, e há também muita exposição, uma boa comunicação, então eu creio que esses elementos aumentaram o valor do produto que é a Liga Mexicana. Muitas jogadoras comentam comigo que são reconhecidas nas ruas, isso faz com que elas se sintam realmente profissionais. Acredito que a Liga Mexicana está trabalhando muito bem, e a jogadora brasileira está se encaixando perfeitamente no que buscam os clubes mexicanos”, afirmou.
Sobre o desenvolvimento da liga, Zamarripa explicou que, nos primeiros oito anos, era um pacote só — o clube vendia as ações comerciais do masculino e o feminino ia de brinde. Hoje, os clubes têm uma estratégia de patrocínio para o masculino e outra para o feminino. “Estamos próximos da liga mexicana desde o início, e realmente a cultura foi crescendo, o engajamento dos torcedores com as jogadoras é incrível, e acho que isso tem a ver com a capacidade de atrair jogadoras de muito renome internacional, como Jenni Hermoso, Isa Haas, Jheniffer Cordinali. São jogadoras que têm uma valorização global incrível, e estão optando pelo mercado mexicano”, completou.
A comparação com a liga americana e o futuro do talento brasileiro
Ao comparar os mercados, Zamarripa apontou que a NWSL, liga dos Estados Unidos, tem um nível de investimento maior, mas lembrou que há poucos meses o América do México ganhou o título da Concacaf de 2026, vencendo duas equipes da NWSL — o Gotham, na semifinal, e o Washington Spirit, na decisão. “O que isso nos diz? Que os clubes mexicanos, os clubes top, podem ganhar de qualquer time da NWSL. Isso já está comprovado. A diferença que existe é que a liga americana é mais equilibrada, o último lugar da tabela pode ganhar do primeiro, isso não acontece no México. Outra diferença é que a liga mexicana prioriza mais o técnico e o tático, e a liga americana prioriza mais a velocidade, a potência, a força. O que me encanta na jogadora brasileira é que ela tem as duas coisas. Por isso, o talento brasileiro está sendo recrutado a nível global”, disse.
Projetando o futuro, o agente acredita que a liga mexicana vai continuar buscando jogadoras brasileiras, citando agências do Brasil que fazem isso muito bem, como a Transfer Soccer Group, que estão priorizando o desenvolvimento da jogadora brasileira como produto de exportação. “Há algo muito interessante acontecendo agora mesmo, as jogadoras que estão fora do Brasil, a maioria está ou já passou pela seleção. O que vai acontecer nos próximos anos? O mesmo que acontece no futebol masculino. O Brasil é um exportador de talentos para todo o mundo, e muitos desses jogadores não passaram e nem vão passar pela seleção brasileira. Mas ainda assim estão em todas as ligas do mundo. Isso é o que sentimos que vai acontecer com as jogadoras, haverá talentos brasileiros de diferentes níveis espalhados pelo mundo”, concluiu. Zamarripa ainda torce para que o Mundial Feminino, que chega ao Brasil no próximo ano, sirva de catalisador para abrir as portas do talento brasileiro para o mundo. As informações são do
Fonte: ge.Globo.



