A convite da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), dirigentes dos 40 clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro se reuniram nesta segunda-feira (10), em um hotel no Rio de Janeiro, para debater mudanças na arbitragem. A intenção da CBF é propor que a arbitragem passe a incluir nos jogos das competições nacionais parte das mudanças implantadas durante a Copa do Mundo, com o objetivo de diminuir a cera dos jogadores e aumentar o tempo de bola rolando. “É mais uma reunião dessa nova gestão, desse novo modelo que tem como base o diálogo, a discussão, sempre de uma forma muito democrática. Hoje daremos o pontapé inicial da primeira reunião de cinco que temos programadas, para a gente discutir as regras do jogo, muitas já implementadas também na Copa do Mundo. Faz parte das mudanças que estamos fazendo e reestruturando o futebol brasileiro”, discursou o presidente da CBF, Samir Xaud.
Na reunião, os clubes aprovaram um conjunto de 10 novas regras para combater a cera e o antijogo, que valem imediatamente e estrearão na 23ª rodada dos dois campeonatos. A maioria das medidas já foi testada na última Copa do Mundo, exceto a que trata do atendimento médico aos goleiros. A CBF aproveitou o período após o Mundial para realizar um estudo mais aprofundado sobre o tempo efetivo de jogo, em parceria com a Opta, e preparar a arbitragem, com treinamentos durante a intertemporada na Granja Comary, em Teresópolis. As regras têm validade imediata para todas as divisões do Brasileirão, para a Copa do Brasil e para o Brasileiro Feminino A1. A Fifa estima que o novo conjunto possa dar mais 5 minutos e 49 segundos de jogo a cada partida.

A CBF apresentou estudo comparando o tempo de bola rolando nas principais ligas do mundo e no Brasil, nas Séries A e B. Com 52min54s, o Brasileirão da Série A só fica à frente da Argentina na comparação com outros países. Veja:
- MLS (EUA) – (2026) 57min12s de bola rolando
- Bundesliga (Alemanha) – (2026) 56min18s
- Ligue 1 (França) – 56min17s
- Premier League (Inglaterra) – 55min23s
- LaLiga (Espanha) – 55min09s
- Serie A (Itália) – 54min28s
- Brasileirão Série A – 52min54s
- Brasileirão Série B – 51min09s
- LPF Apertura (Argentina) – 50min02s
As 10 novas regras aprovadas
- Oito segundos com a bola nas mãos: o goleiro terá oito segundos para permanecer com a bola nas mãos. Caso ultrapasse o limite, a posse será revertida ao adversário, que terá direito a um escanteio.
- Cinco segundos para cobrança de tiro de meta: o jogador terá cinco segundos para realizar a cobrança. Se ultrapassar o tempo, o adversário ganhará um escanteio.
- Cinco segundos para cobrança de lateral: haverá um limite de cinco segundos para a cobrança do lateral. Caso o jogador demore mais do que o permitido, a posse será revertida ao adversário.
- Dez segundos para deixar o campo em substituições: o jogador substituído terá 10 segundos para deixar o campo. Caso ultrapasse o limite, poderá ser advertido com cartão amarelo.
- Um minuto fora após atendimento médico: jogadores que receberem atendimento médico dentro de campo terão de permanecer fora do gramado por um minuto antes de poderem retornar.
- Um jogador de linha fora após atendimento ao goleiro: quando um goleiro for atendido, um jogador de linha deverá deixar o campo por, no mínimo, um minuto. O treinador ou o capitão indica quem cumpre o minuto fora.
- Somente o capitão poderá falar com o árbitro: apenas o capitão poderá se aproximar do árbitro para discutir decisões. Quando quiser iniciar a conversa, o árbitro sinalizará com o punho cerrado acima da cabeça, e os demais jogadores deverão permanecer a cerca de quatro metros de distância. Quem desrespeitar o protocolo poderá receber cartão amarelo.
- Cobrir a boca durante discussão poderá gerar expulsão: jogadores que cobrirem a boca com as mãos durante uma discussão com adversários poderão receber cartão vermelho. A medida ficou conhecida como “Protocolo Vini Jr.”. Esta regra não foi adotada na Copa do Mundo, mas será utilizada na Inglaterra e na Espanha na próxima temporada.
- VAR poderá revisar segundo cartão amarelo: o VAR poderá intervir em situações envolvendo um segundo cartão amarelo que resulte em expulsão. O primeiro cartão amarelo, porém, não será passível de revisão pelo árbitro de vídeo.
- VAR poderá revisar escanteio que resulte em gol ou pênalti (a partir de 2027): o VAR poderá intervir quando um escanteio for concedido de maneira equivocada e, na sequência da jogada, resultar em gol ou pênalti. Como são erros objetivos, o VAR pode avisar diretamente à arbitragem, sem que o juiz tenha que ir ao monitor.
A implementação antecipada faz parte da estratégia da CBF para melhorar o tempo efetivo de jogo antes de as mudanças se tornarem obrigatórias. A partir de 2027, todas as regras passarão a ser obrigatórias pela IFAB, entidade responsável por estabelecer as regras do futebol. A CBF, porém, decidiu antecipar a adoção no futebol brasileiro para o segundo semestre de 2026. A entidade estabeleceu uma meta realista de chegar a 57 minutos de bola rolando, e quer “recuperar” 6min22seg de tempo em quatro quesitos — o que já chegaria a 59min16seg. No curto prazo, a intenção é aprovar as medidas já para a sequência do Brasileirão deste ano; no longo prazo, o desejo é ajudar na formatação da liga de clubes, que a confederação tomou a frente no primeiro trimestre deste ano.



