O processo de transformação e negociação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Joinville ganhou novos capítulos nesta quinta-feira (6). A comissão responsável por analisar propostas de compra do clube foi oficialmente extinta pelo Conselho Deliberativo. A medida foi tomada após os conselheiros descobrirem que a diretoria executiva do JEC teria assinado um contrato prévio com um dos grupos interessados, o Consórcio 76, sem o conhecimento da comissão ou o cumprimento dos ritos do processo. O grupo concorrente, formado pela ERX Administradora de Bens e pelo empresário Tarciso Batista Júnior, anunciou formalmente a retirada de proposta, saindo da disputa pela compra da SAF do Tricolor.
“Agora vocês entendem sobre o que postei lá atrás sobre futebol, sobre a sujeira que existe no futebol. As pessoas não agem em prol de um clube, elas agem por interesses próprios ou benefícios individuais”, disse Tarciso Batista nas redes sociais. Após a repercussão do caso, o Consórcio 76 informou que continuará seguindo os trâmites estabelecidos pelo Conselho Deliberativo. Em nota oficial, a Mesa Diretora do Conselho Deliberativo afirmou ter sido pega de surpresa com a existência do documento, alegando que o contrato com o Consórcio 76 já contava com definição de valores da negociação, concessão de cláusula de exclusividade e previsão de multa contratual. Diante deste cenário, os conselheiros justificaram a extinção imediata da comissão citando falta de transparência, quebra de confiança, risco de comprometimento dos trabalhos e possibilidade de endividamento do clube.
O que diz o JEC
Também por meio de nota, o presidente em exercício do JEC, Derian Campos, afirmou que o acordo de exclusividade não interfere no processo de concorrência conduzido pelo conselho. O clube ainda contesta a informação sobre riscos financeiros ao JEC, garantindo que não há qualquer tipo de multa caso a proposta do Consórcio 76 não seja aprovada pelo conselho. O JEC ainda informou que todas as tratativas foram analisadas e validadas pelo departamento jurídico do clube. Ainda em nota, a diretoria lamentou a decisão de encerrar a comissão e reforçou o compromisso com um processo transparente e voltado para os interesses do Joinville e da sua torcida.
O episódio ocorre semanas após o Joinville ter rompido um acordo de R$ 150 milhões por venda da SAF do clube, quando enviou o distrato do acordo de investimento. A descoberta do contrato sigiloso com o Consórcio 76 e a consequente extinção da comissão marcam mais um capítulo na turbulenta negociação da SAF do Tricolor, que agora terá de reavaliar os rumos do processo de venda diante da saída de um dos grupos concorrentes e da quebra de confiança entre diretoria e Conselho Deliberativo.
Fonte: ge.Globo.



