O Vasco ingressou na Justiça com um pedido de autorização para a operação de UPI Equity envolvendo sua SAF — na prática, o processo de revenda do clube. A operação, caso autorizada, abre concorrência entre investidores interessados, com a Almirante Participações, do empresário Marcos Lamacchia, na condição de “stalking horse”. Ou seja, o acordo de investimento já firmado entre o Vasco e a Almirante determina as condições básicas do processo, que as demais interessadas devem seguir. A Almirante também teria o direito de cobrir eventuais propostas superiores (“right to match”), podendo igualar ofertas que venham a superar as suas.
As bases definidas na negociação com a Almirante envolvem um aporte total de R$ 500 milhões no futebol, garantia de pagamento de dívidas e obrigações da recuperação judicial, receitas que cubram as despesas por cinco anos, garantia de investimentos de R$ 120 milhões no centro de treinamento do clube, veto a revenda de ações por 10 anos, entre outras condições. No documento, o cruz-maltino alega que a negociação com a Almirante já foi amplamente desenvolvida e que a abertura a novos investidores é pública para o mercado. Também sustenta que a formação de uma nova SAF não alienará as ações da 777 Carioca nem antecipará questões envolvidas entre as partes na disputa societária.
Os argumentos do clube e as condições da concorrência
Outro argumento do Vasco é a necessidade de liquidez e de rápida chegada de investimentos, citando a revenda como mecanismo previsto no plano de recuperação judicial. O clube ressalta ainda a atual janela de transferências como referência para a conclusão da operação, o que permitiria melhor desempenho esportivo e reduziria o risco de possível queda de receitas num eventual rebaixamento, que comprometeria as finanças e afetaria a execução do plano de recuperação.
Veja as condições básicas da concorrência, já acertadas no acordo de investimento entre Vasco e Almirante (Lamacchia):
- Aporte total de R$ 500 milhões no futebol
- Conversão do empréstimo DIP de R$ 80 milhões em crédito e ações em nome da futura investidora
- Pagamento de dívidas e obrigações do plano de recuperação judicial
- Receita operacional cobrindo a despesa por cinco anos
- Garantia de investimento de R$ 120 milhões no centro de treinamentos do time profissional ao longo de 10 anos e de R$ 30 milhões na infraestrutura da base em dois anos
- Tomar medidas com o objetivo de captar R$ 150 milhões em incentivo fiscal ao longo de 10 anos
- Aportes adicionais em caso de descumprimento de obrigações envolvendo recuperação judicial, fluxo de caixa e infraestrutura
- Veto à distribuição de dividendos e à revenda de ações por 10 anos
- Direito ao uso de São Januário com prioridade e exclusividade até 2030, sob o custo de R$ 3 milhões anuais, reduzido para R$ 2 milhões em caso de reforma
A decisão sobre a autorização da operação cabe agora à Justiça, que definirá se a concorrência pela SAF será aberta nos termos propostos pelo clube.



