Na Futebol Forte União (FFU), condomínio que reúne alguns dos principais clubes do futebol brasileiro, existe uma proposta de alteração no estatuto do bloco, elaborada por representante do Vasco, que cria as condições para a constituição de uma liga única de clubes em parceria com a CBF. O texto, ao qual o UOL teve acesso, contém 24 blocos de alterações que afetam várias cláusulas do estatuto e ainda não foi validado por todos os clubes, devendo ser alvo de debates internos nos próximos dias.
As mudanças desenhadas até o momento reduzem o poder do investidor, a Sports Media Entertainment, e aumentam a força dos clubes em diversos aspectos — desde o voto para tomada de decisão no comitê do condomínio até a gestão financeira e comercial. Entre os pontos mais estratégicos, a proposta prevê que os naming rights do Campeonato Brasileiro, as oportunidades coletivas de patrocínio e os direitos de propriedade intelectual da liga deixam de pertencer com exclusividade ao condomínio e passam a pertencer à liga e aos clubes, sob governança própria. Uma nova cláusula estabelece que decisões sobre o estatuto e a governança da liga serão atribuições exclusivas e autônomas dos clubes, sem necessidade de anuência do investidor e sem lhe conferir direitos ou prerrogativas adicionais. Outro ponto relevante é a retirada das cláusulas que previam a opção do investidor comprar dos clubes parte das propriedades de campo.
A proposta vai além e acrescenta uma hipótese concreta para a extinção do condomínio: a formação efetiva de uma liga unificada de clubes do futebol brasileiro. Nesse cenário, segundo uma cláusula mantida no texto, os direitos negociados com o investidor retornariam à propriedade exclusiva dos clubes. Alguns dirigentes gostaram da ideia, segundo apurou o UOL, enquanto outros esperam uma leitura mais aprofundada.
No que diz respeito à governança, o comitê do condomínio permanece com sete membros, mas a proporção muda significativamente: os clubes passam a indicar seis integrantes, e não mais cinco, enquanto o investidor passa a ter direito a apenas uma cadeira, e não mais duas. O quórum mínimo para as reuniões do comitê também foi reduzido de 90% para 75% das partes, o que dá aos clubes margem para tomar decisões estratégicas mesmo sem a presença do representante do investidor. Outro ponto que fortalece os clubes é a retirada do investidor da prerrogativa de contratar o administrador do condomínio e a empresa ou equipe responsável pela parte comercial — movimento que pode representar um risco para Gabriel Lima, atual administrador do bloco, e para a Live Mode, que gerencia a venda dos direitos de transmissão.
O documento foi formulado por membros de uma comissão cuja criação foi aprovada na última assembleia e conta com representantes de clubes. A ideia é submeter o texto em breve à aprovação dos membros do condomínio, mas esse debate interno, na própria comissão, não está concluído.
Fonte: Uol.



