O impedimento semiautomático fez sua estreia no Campeonato Brasileiro na 20ª rodada, disputada entre sábado (25) e domingo (26), e já gerou questionamentos que levaram a CBF a projetar ajustes para curto prazo. O caso de maior repercussão ocorreu no empate em 1 a 1 entre Flamengo e São Paulo, no Maracanã, nos minutos finais da partida. Samuel Lino marcou para o Flamengo, mas o gol foi invalidado após o sistema identificar que Wallace Yan estava em posição de impedimento no início da jogada. Nas redes sociais, torcedores questionaram a não exibição, na transmissão, da imagem que mostra o momento exato do passe.
O ex-árbitro Arnaldo Cezar Coelho foi um dos críticos mais contundentes. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que a CBF adquiriu um software incompleto. “O momento do passe, o que é mais importante da regra, não está sendo mostrado. Vai criar sempre discussão”, disse Arnaldo.
CBF faz balanço positivo, mas admite necessidade de mais transparência
Em comunicado oficial, a CBF avaliou positivamente a estreia da tecnologia. Segundo a entidade, o sistema foi utilizado em cinco oportunidades ao longo da rodada, com tempo médio de checagem de 47 segundos. Na partida entre Santos e Chapecoense, a validação do gol de empate do time catarinense, marcado por Marcinho, levou 48 segundos. Na Fonte Nova, o gol de empate do Bahia foi anulado em 32 segundos, e no Mangueirão o segundo gol do Remo foi confirmado em 62 segundos.
“O primeiro fim de semana de utilização oficial do impedimento semiautomático foi extremamente positivo e confirmou que estamos no caminho certo. A tecnologia entregou aquilo que esperávamos: mais agilidade, precisão e segurança nas decisões, reduzindo significativamente o tempo de análise dos lances e proporcionando maior fluidez às partidas”, afirmou Netto Góes, diretor de Arbitragem da CBF. A entidade explicou que o sistema opera com câmeras que capturam imagens a 100 quadros por segundo e identifica automaticamente o instante exato do último contato do jogador com a bola, conhecido como kick point. O software reconhece os atletas envolvidos, define os pontos de referência e gera o resultado da análise sem interferência humana nessa etapa. O caráter semiautomático está apenas na validação final feita pela equipe do VAR, que se limita a confirmar o resultado produzido pelo sistema. A tecnologia emprega entre 28 e 32 câmeras dedicadas em cada estádio, além de cinco servidores locais, com as imagens enviadas em tempo real para a Central de Operações do VAR, no Rio de Janeiro.
Apesar do balanço positivo, a CBF reconheceu a necessidade de ajustes. Segundo apuração do UOL, a entidade trabalha para que o instante do passe também seja mostrado na animação exibida nas transmissões, com o objetivo de dar mais transparência ao processo e reduzir desconfianças sobre a marcação. Por questões técnicas, no entanto, ainda não há prazo definido para a implementação da mudança. Esse passo depende agora de ajustes técnicos com a Genius Sports, empresa que fornece o aparato tecnológico na liga brasileira. A falta do momento do passe é uma das diferenças dos aspectos gráficos na comparação com a Fifa — fornecido pela Hawk-Eye.
A CBF também respondeu a outros questionamentos surgidos após a rodada, esclarecendo que, em situações excepcionais — como jogadores sobrepostos ou lances que exijam interpretação —, o operador pode avançar ou retroceder um quadro para confirmar o momento exato do passe, mas afirmou que nenhuma dessas situações ocorreu na 20ª rodada.



