O Flamengo enviou e-mails a empresários de jogadores notificando a necessidade de reprogramar e adiar para 2027 as comissões pactuadas até o fim de 2026. A medida, justificada pelo clube como parte de uma reorganização financeira, gerou reação imediata da Associação Brasileira de Agentes de Futebol (Abaf), que recorreu à CBF para pedir a inclusão da categoria no escopo do fair play financeiro. A entidade argumenta que a suspensão unilateral de obrigações pelo clube mais solvente do país representa um grave risco sistêmico para todo o futebol brasileiro.
Em mensagem enviada aos agentes, o Flamengo informou que “identificou-se a necessidade de renegociar e reprogramar determinados pagamentos relacionados às comissões pactuadas até o final de 2026”. Em outra comunicação, o clube explicou que “os pagamentos pendentes de 2026 serão postergados para 2027”, sem detalhar o novo cronograma. O clube tem como prática pagar 7% do valor da transação como comissão. Não é a primeira vez que a gestão do presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, adota essa estratégia — no início de 2025, o clube já havia feito o mesmo para aumentar o fluxo de caixa no começo do mandato. Procurado, Bap afirmou: “Quem não está satisfeito, não faz negócio com o Flamengo.”
Associação de agentes alerta para risco sistêmico no futebol brasileiro
A Abaf levou o caso à CBF destacando a contradição entre a situação do Flamengo e a decisão de suspender os pagamentos. “Se mesmo a agremiação mais solvente do país recorre a reorganizações internas para suspender unilateralmente o cumprimento das obrigações já pactuadas com agentes, o risco sistêmico para os demais clubes, inclusive aqueles em situação financeira mais crítica, é consideravelmente maior”, argumenta a entidade. O pedido é que a categoria seja incluída no escopo do Sistema de Sustentabilidade Financeira, o fair play financeiro do futebol brasileiro.
No cenário atual, se um clube não paga uma dívida com um empresário, o agente pode cobrar na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), órgão vinculado à CBF. A Abaf, no entanto, busca uma proteção mais ampla e preventiva, diante do que considera um precedente perigoso aberto justamente pelo clube mais saudável financeiramente do país. O episódio expõe as tensões entre a gestão de custos dos clubes e a remuneração dos intermediários que atuam nas negociações de atletas, em um momento em que o mercado de transferências brasileiro passa por transformações.
Fonte: ge.Globo.



