O novo Fair Play Financeiro do futebol brasileiro chega à fase de aplicação das regras, na avaliação de Ricardo Gluck Paul, presidente da Federação Paraense de Futebol (FPF) e vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Para o dirigente, o principal desafio agora é fazer funcionar a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), responsável por fiscalizar o cumprimento das normas de sustentabilidade financeira dos clubes. “Se tivesse feito essa pergunta ano passado, eu te responderia que precisava do Fair Play Financeiro. Tinha que implantar o Fair Play. Que o Brasil era o único país que não tinha Fair Play. E que estávamos atrasadíssimos nisso já. Até usava uma metáfora, que a gente estava no Titanic, o Titanic bateu no iceberg e agora, cara, tem que jogar a boia”, afirmou Ricardo. Agora, a expectativa é que o mecanismo passe a produzir efeitos concretos sobre os clubes. “A gente pegou as melhores práticas internacionais, algumas criadas por nós também, adaptadas”, explicou.
Em entrevista à TV Globo, Gluck Paul disse que chegou a hora de fazer o fair play financeiro funcionar no futebol brasileiro. De acordo com o dirigente, já foram definidas as regras básicas e foi criada uma estrutura de fiscalização a partir da ANRESF. Gluck Paul, porém, disse que o próximo desafio será implementar as regulamentações aos clubes sem que possíveis punições depois se transformem em reclamações ao STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva). O dirigente prevê que o novo sistema será colocado à prova quando começarem a ser aplicadas as punições mais severas previstas pelo Fair Play Financeiro. Entre elas, estão a perda de pontos, o rebaixamento e o transfer ban.
O papel da ANRESF na fiscalização dos clubes
Criada em novembro de 2025, a ANRESF será a agência independente que terá a responsabilidade de regular o fair play financeiro e aplicar possíveis punições aos times. De acordo com a CBF, a nova autoridade será responsável por monitorar, fiscalizar, julgar e aplicar sanções do Sistema de Sustentabilidade Financeira, com quadro técnico especializado e decisões finais em instância plenária. “Será da ANRESF a responsabilidade de avaliar, julgar, negociar acordos e aplicar sanções que, no caso dos clubes, incluem advertência pública, multa, retenção de receitas, transfer ban, dedução de pontos e até rebaixamento. Compete ainda à ANRESF a responsabilidade de editar normas complementares, instruções e manuais operacionais que visem facilitar a implementação do regulamento de Sustentabilidade Financeira”, complementou Gluck Paul.
A ANRESF será estruturada em duas instâncias (Turmas e Plenário), sendo todas as decisões do Plenário, a instância recursal, finais e definitivas. A fala do vice-presidente da CBF reforça a expectativa de que o fair play financeiro passe a ter efeitos práticos, com a agência aplicando punições aos clubes que descumprirem as regras de sustentabilidade financeira.



