A Primeira Câmara do Órgão de Controle Financeiro de Clubes da Uefa concluiu a análise das contas das equipes participantes das competições continentais na temporada 2025/26, resultando em punições para 14 agremiações. As sanções, que incluem multas milionárias e restrições esportivas, foram motivadas pelo descumprimento das regras de equilíbrio financeiro, excesso de gastos com elencos e irregularidades na apresentação de dados contábeis. Entre os clubes penalizados figuram nomes de peso do futebol europeu, como Juventus, Chelsea, Newcastle e Aston Villa.
As investigações apontaram que um grupo de seis clubes, composto por Juventus, Newcastle, Nice, Santa Clara, Astana e Partizan, violou a regra de ganhos do futebol. Essa norma estabelece um limite para o prejuízo acumulado das instituições ao longo de um ciclo de monitoramento, que desta vez considerou os exercícios financeiros de 2023, 2024 e 2025. A Juventus recebeu a maior penalidade neste quesito, com uma multa de 20 milhões de euros, sendo que 14 milhões desse montante dependem do cumprimento de metas futuras. O Newcastle foi multado em 10 milhões de euros sob condições semelhantes. Ambos os clubes assinaram acordos de três anos com a entidade e deverão atingir a conformidade total até o encerramento da temporada 2028/29, sob risco de exclusão de torneios europeus.
Nice e Santa Clara também foram penalizados por descumprirem a regra, mas convenceram a Uefa de que as irregularidades eram temporárias. O clube francês foi multado em 2 milhões de euros, enquanto a equipe portuguesa recebeu multa de 1 milhão de euros, ambos com parte do valor suspensa. Astana e Partizan receberam punições menores, de 100 mil e 200 mil euros, respectivamente.
Controle rigoroso sobre a folha salarial e comissões
Uma segunda frente de punições concentrou-se no limite de gastos com o departamento de futebol, que engloba salários de jogadores e comissões técnicas, além de transferências e pagamentos a empresários. Pelas diretrizes vigentes, essas despesas não podem ultrapassar o teto de 70% das receitas totais somadas aos lucros obtidos com a venda de atletas. Nove clubes excederam esse índice em 2025, com destaque para o Strasbourg, da França, que recebeu uma sanção de 25 milhões de euros, e o Aston Villa, multado em 22,5 milhões de euros.
Devido à gravidade das violações, Strasbourg e Aston Villa sofrerão restrições para o registro de novos jogadores nas competições da Uefa na temporada 2026/27. Outras equipes também receberam multas por excederem o limite de 70%, como o Fenerbahçe (7 milhões de euros), a Fiorentina (6 milhões), o Chelsea (3 milhões) e o Nottingham Forest (2,5 milhões). A entidade ressaltou que, embora Chelsea e Aston Villa já tivessem sido notificados anteriormente, ambos apresentaram uma trajetória de melhora em seus indicadores financeiros, o que foi levado em conta na modulação das penas.
Equilíbrio contábil e transparência das informações
O monitoramento da Uefa também revelou casos em que o excesso de gastos foi mitigado por outros resultados operacionais. Bologna e Napoli, por exemplo, chegaram a ultrapassar o limite de despesas com o elenco, mas não foram sancionados porque conseguiram compensar os valores excedentes com superávits em outras contas relacionadas às atividades do futebol. Essa compensação permitiu que os clubes italianos permanecessem dentro das margens de tolerância da sustentabilidade financeira exigida pela federação europeia.
Por outro lado, a transparência na prestação de contas foi um ponto crítico para o FK Vardar Skopje, multado em 250 mil euros por fornecer informações financeiras incompletas. A Uefa estabeleceu um alerta rigoroso para o clube: caso a falha na comunicação de dados se repita nas próximas três temporadas, a equipe poderá ser banida das competições continentais. Essas medidas reforçam o compromisso da entidade com a isonomia financeira, utilizando o ciclo de monitoramento de três anos para garantir que o crescimento dos clubes ocorra de maneira sustentável e transparente.
Fonte: CNN Brasil.



