Na era do presidente Frederico Varandas, o Sporting tem transformado o mercado escandinavo em uma das principais fontes de recrutamento, com resultados expressivos tanto no aspecto desportivo quanto no retorno financeiro. A aposta dos leões em atletas com forte disciplina tática, mentalidade competitiva e rápida adaptação ao futebol europeu gerou um ciclo virtuoso de contratações e vendas milionárias que chama a atenção do futebol mundial. O maior símbolo dessa estratégia é Viktor Gyokeres, contratado junto ao Coventry por €20 milhões fixos e vendido ao Arsenal por €65,76 milhões, mais €10,25 milhões em bónus por objetivos — um negócio que elevou o patamar do ataque leonino e rendeu 97 gols em 102 jogos, além de dois títulos de Bola de Prata.
O êxito, porém, não se limita ao sueco. O defesa-central Ousmane Diomande, descoberto pelo scouting leonino quando atuava por empréstimo do Midtjylland ao Mafra, chegou a Alvalade em janeiro de 2023 por €14,5 milhões. Em três temporadas e meia, somou 121 jogos e tem cláusula de rescisão de €80 milhões, com mercado aquecido e possibilidade de valorização no Mundial. O médio Morten Hjulmand, contratado ao Lecce por €18 milhões, tornou-se capitão e motor tático da equipe, com valor de mercado estimado em €50 milhões e acordo tácito para saída no próximo verão. Já Conrad Harder, aprendiz de Gyokeres, foi vendido ao Leipzig por €24 milhões após 52 jogos e 12 gols. O Sporting também negocia agora a contratação de Silas Andersen, médio de 21 anos do BK Hacken, numa operação que não deve exceder os €10 milhões — mais uma aposta numa promessa escandinava de 1,90m, versátil e com inteligência tática acima da média.
O que os clubes brasileiros podem aprender com a estratégia leonina
O caso do Sporting oferece um ensinamento valioso para o futebol brasileiro. Enquanto os gigantes nacionais concentram recursos em contratações de impacto imediato no mercado sul-americano e europeu, há mercados secundários com boa relação custo-benefício que permanecem subexplorados. A Escandinávia, por exemplo, produz atletas com formação tática disciplinada e custos de aquisição inferiores aos praticados nos principais centros europeus, como demonstram as contratações de Hjulmand e Gyokeres antes da valorização astronômica. Clubes brasileiros com estrutura de scouting internacional poderiam mirar não apenas no mercado nórdico, mas também em outras regiões com perfis semelhantes: o Leste Europeu, com jogadores de bom custo-benefício e formação estruturada; o mercado africano de países lusófonos, como Angola e Moçambique, que oferecem talentos com adaptação linguística facilitada ao Brasil; e o próprio mercado asiático, ainda incipiente para os padrões brasileiros, mas com potencial de valorização comercial e de marca.
A lógica do Sporting demonstra que a identificação precoce de talentos em mercados periféricos, combinada a um modelo de desenvolvimento e revenda, pode gerar retornos financeiros expressivos e competitividade desportiva. Clubes da Série A com capacidade de investimento em scouting e análise de dados poderiam replicar essa abordagem, reduzindo a dependência de negociações superaquecidas no mercado doméstico e diversificando as fontes de receita com transferências internacionais.
Fonte: A Bola.



