A ANRESF (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol), responsável pelo fair play financeiro no futebol brasileiro, determinou nesta terça-feira (12) que o São Paulo tem 45 dias para pagar R$ 1,1 milhão e evitar um novo transfer ban — a punição que impede o clube de registrar novos jogadores. O Tricolor foi condenado pela agência por uma dívida com o Novorizontino pela contratação do meio-campista Djhordney. O clube fechou acordo para pagar R$ 1 milhão, em cinco parcelas de R$ 200 mil, mas não quitou nenhuma. O São Paulo se defendeu alegando que não teria como pagar o valor agora, e a ANRESF determinou o prazo de 45 dias. Se não pagar, ficará impedido de registrar novos jogadores.
O caso marca um momento histórico para o fair play financeiro brasileiro: seria a primeira aplicação de pena pelo não pagamento de uma dívida desde que o regulamento começou a ser aplicado no futebol do país. Há pouco mais de um mês, o Novorizontino formalizou a denúncia de atraso de pagamento à ANRESF. O São Paulo devia, no momento, R$ 600 mil (três parcelas) do R$ 1 milhão que a operação custou. Inicialmente, a agência intimou o clube tricolor a pagar a dívida em 10 dias úteis. Sem comprovação de quitação, foi determinado o pagamento integral, com juros e correção monetária, em 45 dias a partir desta quarta-feira (12). Caso a dívida não seja sanada, o clube ficará impedido de registrar novos atletas até a regularização integral da pendência ou até que o Novorizontino comunique um acordo.
A decisão da ANRESF e as versões dos clubes
Em comunicado sobre a decisão, a ANRESF chama atenção para um ponto de calendário que todos os clubes precisam observar: as obrigações assumidas a partir de 1º de janeiro de 2026 estão sujeitas à aplicação de sanções do Regulamento do Sistema de Sustentabilidade Financeira (RSSF). Como o acordo entre São Paulo e Novorizontino foi celebrado em janeiro, aplicou-se o regime pleno e não o de transição. Os casos anteriores foram encerrados por quitação ou repactuação, com arquivamento — esta é a primeira decisão da agência a aplicar a sanção de bloqueio de registro pelo não pagamento de dívida. “Ela (a decisão) mostra a outra face do mesmo mecanismo: quando a regularização não vem, o sistema dispõe de resposta própria. A decisão também assenta que dificuldades financeiras, ainda que públicas e notórias, não afastam o atraso, e que propostas de pagamento recusadas pelo credor não equivalem ao acordo escrito exigido”, diz um trecho do comunicado.
Em nota, o São Paulo informou: “Antes da publicação da decisão pela agência, o São Paulo Futebol Clube, por meio do presidente Harry Massis, entrou em contato com Genilson Rocha, presidente do Grêmio Novorizontino, e ajustou um acordo de pagamento. As partes aguardam o alinhamento entre os departamentos jurídicos dos clubes para a formalização do compromisso.” O Novorizontino, por sua vez, apresentou versão diferente: “O Grêmio Novorizontino informa que o débito é referente à negociação de parte dos direitos econômicos do atleta Djhordney Ferreira. Das cinco parcelas previstas, nenhuma foi paga pelo São Paulo Futebol Clube. O Novorizontino esclarece que não há negociação para um novo acordo e aguarda o cumprimento integral da obrigação.”
Se for novamente punido, o São Paulo sofrerá seu segundo transfer ban nesta temporada. No mês passado, o clube ficou impedido de contratar novos jogadores por uma dívida com a Lazio, da Itália, pela contratação do volante Marcos Antônio. O São Paulo pagou um milhão e cinquenta mil de euros (R$ 6,08 milhões na cotação atual) à Lazio e encerrou a pendência para se livrar do transfer ban. A informação da possível punição foi revelada pelo Uol e confirmada pelo ge.



